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Bruno Peron Loureiro |
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O conflito
das Malvinas estimula a retomada do adágio
“a união faz a força” pela irmandade da
América Latina.
Em se
tratando do desnível de capacidade bélica entre Argentina e
Inglaterra, uma cotovelada nos vizinhos latino-americanos
convoca-os a lançar o tema como de importância regional em
foros vindouros.
A
Inglaterra enviou a plataforma marítima “Ocean Guardian” na
intenção de explorar gás e petróleo a 160 km ao norte das
Malvinas, cujo arquipélago de três mil habitantes é disputado
desde o século XIX pelos dois países, mas ficou sob domínio
inglês desde 1833.
Os
pujantes há muito controlam territórios latino-americanos e
ilhas adjacentes. A Inglaterra controla as Malvinas assim como
a Pangérica faz em Porto Rico e a França na Guiana Francesa.
Discute-se a soberania da Argentina e o espaço de defesa da
América Latina.
A
estratégia do governo argentino tem sido a de dificultar a
ação das empresas inglesas, que se aproximam em consequência
da alta do preço de petróleo. A presidente argentina Cristina
Fernández passou a exigir autorização oficial de todas as
embarcações estrangeiras para que naveguem em águas do país
sul-americano.
O esforço
da Argentina de frear o apetite inglês é histórico. A guerra
de 1982 rendeu a baixa de 649 argentinos e 255 britânicos e a
derrota dos anseios de recuperação do território pelos
argentinos. O governo do ex-presidente Néstor Kirchner, para
citar uma ação mais atual, fez campanha pela retomada das
Malvinas.
É
legítima a defesa dos recursos naturais na área marítima por
parte da Argentina, ao mesmo tempo em que surgem boatos
inoportunos de que a presidente Cristina Fernández tentou
desviar a atenção de problemas internos, como o aumento da
inflação e o uso das reservas do Banco Central.
Qualquer
crítica nesta direção desconsidera que os países
latino-americanos estão sempre atolados nalgum impasse ou
problema e que, a despeito deste diagnóstico, devem travar
certames a favor da soberania e do resgate da dignidade de
seus povos humilhados e avassalados.
A
Argentina e a Inglaterra estão dispostas a dialogar sobre as
Malvinas, apesar de a segunda dar por encerrado o debate sobre
a legitimidade de sua posse sobre as ilhas, cuja renda provém
boa parte da pesca.
Um
conflito armado é pouco provável pelo desnível das forças
envolvidas.
O litígio
não impede que a Argentina alimente o seu desejo de
restituição do território por meio da condução do tema a um
foro latino-americano de debates envolvendo representantes
políticos de tomada de decisões importantes, como o Grupo do
Rio ou o Conselho Sul-Americano de Defesa, que ainda não se
consolidou.
A
montagem de uma estrutura própria de discussões e ações sobre
temas latino-americanos por governos progressistas na região
começa a surtir efeito e a chacoalhar a base que, por séculos,
sustentou a ganância dos países pujantes.
A
Argentina não vê opção melhor que a união latino-americana
para expulsar os corsários destas latitudes de onde muito
sangue jorrou sob os mandos de forasteiros. As Malvinas são
uma mostra da permanência de práticas colonialistas e
imperialistas.
Cercados
por navios de guerra e bases militares da Pangérica, a saída
do mais fraco é resistir. Em mais uma prática
desestabilizadora, a Pangérica convida o Uruguai a firmar
tratados de livre comércio enquanto este país é fundamental
para a continuidade do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).
Embora a
retórica seja a da paz, cujo prêmio Nobel foi estupidamente
concedido ao estadista dúbio e infrutífero Barack Obama em
função de mamulengo, a Pangérica militariza nossa região e a
Inglaterra envia uma plataforma de prospecção de gás e
petróleo como se fossem os donos do pedaço.
Basta de
intromissão descarada.
As
Malvinas pertencem à Argentina.
Bruno Peron Loureiro é mestre em Estudos
Latino-americanos.
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