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Rita Vaz |
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Elvis me beijou!
A cena
poderia ser normal, até comum.
Porém,
era surreal.
Como se
fosse uma alucinação, vi quando caminhava para minha casa, ao
dobrar uma esquina, um homem fantasiado de Elvis Presley,
sentado no meio fio, chorando como uma criança.
A cena
seria normal se fosse um homem sentado, chorando, mas,
caracterizado como o rei do rock, era demais.
O
cidadão, mesmo de grandes óculos escuros, não conseguia
esconder o seu choro, e às vezes chegava a soluçar de tanto
pranto.
As
pessoas que passavam por ali ficavam olhando, mas logo em
seguida continuavam o seu caminho.
Por pouco
não fiz o mesmo. Já havia passado da estranha figura, quando
parei e resolvi voltar e olhar mais de perto para tentar
entender aquilo.
Prestei
atenção por alguns minutos e, como ele não mudou a sua
atitude, cheguei mais perto e perguntei se ele precisava de
alguma ajuda.
Sem nem
me olhar, a pessoa fantasiada de Elvis Presley disse que não
conseguia mais compor, pois seu grande amor o havia
abandonado.
Pensei na
hora que o cara estava mais maluco do que eu tinha pensado.
E falei
para ele, que talvez ele estivesse enganado e que se fosse
para casa e tirasse aquela roupa poderia pensar com mais
clareza sobre o assunto.
Nesse
momento, bastante descontente com o meu comentário, Elvis se
levantou de um pulo, se posicionou diante de mim e disse:
“Eu sabia
minha querida, que você ia aparecer!”
“O quê?”
“Eu sabia
que se sentasse aqui, como das outras vezes, você viria me
procurar”.
“Espera
aí você está me confundindo com alguém, eu não te conheço”.
Não tive
tempo de me proteger, ele me pegou nos seus braços e me
beijou, e de repente me entreguei para aquele, que era o
melhor beijo que já tinha dado na minha vida.
O beijo
não acabava mais, não sei por quanto tempo fiquei me
deliciando junto daquele estranho.
Mas um
barulho constante começou a me tirar a concentração, e ele foi
aumentando e aumentando até que precisei empurrar aquele homem
que me abraçava com força para entender o que era aquilo e
quando olhei para o lado, vi meu despertador.
Já eram
seis horas da manhã, hora de parar de sonhar, levantar da
cama, e enfrentar mais um dia da realidade da vida. |