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Rita Vaz |
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Os dois estavam discutindo dentro do carro.
Alex ao volante, e Laura, sua esposa, no banco do
passageiro.
O carro
deles era novo, e esse era um dos motivos pelo qual eles
tinham decidido viajar até a casa dos pais de Alex, se
aventurando pelas rodovias.
Viajavam
há mais de quatro horas, e o dia estava acabando.
Era aquela hora do entardecer em que nem está claro o
suficiente para apagar os faróis, e nem escuro o suficiente
para acendê-los. Numa bifurcação tinham pego o caminho errado.
E essa
era a discussão dos dois naquele momento.
Laura tinha certeza disso, do caminho errado, mas Alex não
admitia o erro.
Ela
falava que estavam numa estrada muito sinuosa e deserta. Alex
teimava em seguir em frente pelo seguinte motivo: encontraria
alguém ou um posto de combustível para pedir informações.
Nervosa,
Laura tentou usar o celular. Mas, no lugar onde estavam não
conseguiam sinal.
A
discussão foi crescendo. Um dizia para voltar, e o outro
queria seguir em frente.
Quando
menos esperavam, um animal atravessou a pista na frente deles,
bem no início de uma curva acentuada. Foi nesse momento que
Alex perdeu o controle do carro.
E só
parou quando bateu de frente em uma rocha, acabando com todo o
carro.
A frente
ficou toda amassada, os vidros quebraram todos, e o carro
ficou desequilibrado por ter subido num pequeno morro antes da
batida.
Algum
tempo depois, Alex foi o primeiro a acordar. Demorou um pouco
para entender a situação e assimilar aquele silêncio intenso,
depois de tanto barulho. Já era noite.
Laura
ainda não acordara, o que deixou Alex apreensivo. Ele levantou
sua cabeça e assustou-se com a quantidade de sangue que tinha
no rosto dela. Na mesma hora ele desprendeu os cintos de
segurança dos dois e começou a gritar o seu nome. Pouco tempo
depois para alívio dele, Laura começou a voltar a si.
Também
demorou um pouco para entender a situação. Mas, logo os dois
agradeciam por estarem vivos, apesar de tamanha colisão.
Tentaram
sair do carro, mas Laura não conseguiu. Suas pernas estavam
presas às ferragens.
Mas, o
mais estranho e bom ao mesmo tempo é que ambos não sentiam
dores, apesar dos cortes, arranhões e pernas presas.
Como não
passava ninguém por aquela estrada, Alex, nervoso demais com a
espera resolveu voltar a pé e pedir ajuda.
Quando
tinha se afastado uns cinqüenta metros do carro, ouviu o
barulho do motor de um outro veículo. E foi como se o dia
tivesse voltado. Alguém finalmente os ajudaria.
O veículo
parou e dois homens saíram dele correndo e se dirigiram para o
carro de Alex. Ele teve a impressão de que os dois não o
tinham visto do lado de fora do carro.
Quando se
aproximou deles, percebeu a expressão de horror na face dos
dois. Eles passavam a mão na cabeça, com muito pesar. Alex
falava para eles ajudarem, que o ajudassem a tirar Laura lá de
dentro, mas eles não davam atenção a ele.
- Vocês
estão ficando loucos? Isso é uma brincadeira? O que está
acontecendo? Eu preciso de ajuda!!!
Um dos
homens voltou ao veículo e usou o rádio para pedir ajuda.
Pouco
tempo depois, um helicóptero chegou ao local.
Alex
estranhou a falta de pressa deles. Laura estava presa, onde
estavam os bombeiros para tirá-la do meio das ferragens?
Aos
poucos percebeu que os homens puxavam um outro corpo de dentro
do carro, que não era o de Laura.
Assustado
e paralisado com a cena horrível que via, não entendendo
aquela desordem no mundo, percebeu finalmente o que tinha
acontecido.
Deparou-se com seu próprio corpo sem vida, sendo retirado das
ferragens.
Rita de
Cássia Vaz Machado é natural de
Curitiba, graduada em Administração de Empresas pela
Fundação de Estudos Sociais do Paraná, é casada e mãe.
Desde pequena acostumou-se a ler,
sendo essa uma de suas paixões além, é claro, do seu
amor pela escrita.
É uma das autoras do
livro "50 Contos por 14 Autores".
Cursou a
Oficina do Livro.
Contato:
ricavm@uol.com.br
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