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Sara Melo |
Não é mais o tempo de nossos avós, onde tudo era tão
tranqüilamente resolvido.
As
refeições diárias eram calmamente preparadas. Às vezes, com
aquele macarrão caseiro.
Preparava-se a massa, cortava-se em tirinhas... O tempero “à
gosto” com ervas frescas “ali do quintal”.
Ao meio
dia em ponto, estavam todos os componentes da família reunidos
à mesa.
Hoje é
uma verdadeira raridade reunir a família durante as refeições!
O final
de ano não chegava nunca, e todos estavam à espera do Natal
para “estrear” roupas novas e comer.
Ah, aquelas bolachinhas caseiras com enfeites coloridos!
E as
férias escolares então? Infinitas! Cansávamos de tanto
descansar!
Será que
o tempo encolheu?
Hoje é tudo instantâneo. Será que o tempo também ficou
instantâneo?
A começar
pelo macarrão: 3 a 5 minutos, e está pronto! O tempero vem
pronto “ao gosto da indústria”.
Com a
internet, é só clicar e viajamos pelo mundo.
Nossa vida é corrida e rica de imprevistos que surgem
instantaneamente.
E a
paciência das pessoas então? Antes paciência de Jó, hoje
paciência instantânea, tipo “pavio curto”.
Ninguém suporta por muito tempo mais nada.
Eu mesma,
outro dia, fiquei com taquicardia ao assistir uma entrevista
na TV. “Ao vivo”, o repórter, com seus minutos contados, fez
a pergunta ao entrevistado. O entrevistado com “uma lentidão”
começou a responder... “veja bem”... e foi-se o tempo!
À noite,
mal começamos dormir e o despertador nos anuncia o novo dia.
As noites encolheram!
Os nossos
filhos crescem instantaneamente. Em um piscar de olhos lá
estão eles entrando na faculdade. A impressão é que foi ontem,
que os conduzimos em seu primeiro dia de aulas.
E aquele
programa de TV, “se vira nos 30”.
Você tem que mostrar o que sabe em 30 segundos, instantâneos.
O microondas mostra pra que veio, e em segundos facilita nossa
vida
Muito
diferente do fogão à lenha. Hoje, optamos pelo pré-cozido, o
instantâneo, o fast food, e o digitou, clicou, entrou!
Deixamos
para traz a velha máquina de escrever. Agora, digitamos no
teclado do computador.
Isso tudo
tem seu lado “muito bom”, mas, por outro lado, estamos ficando
meio “robóticos”, sempre programados para, dentro de um “tempo
x”, instantâneo de preferência, produzir em todas as áreas da
vida, instantaneamente.
Reparou
como passamos a vida correndo de um ponto a outro, quase sem
conseguirmos observar o que se passa à nossa volta?
Deveríamos aproveitar melhor a vida e degustar melhor os
pequenos prazeres. É claro que convivendo sempre com a
instantaneidade.
Sem mais
delongas, vou acabar por aqui. Afinal, sei que você, leitor,
tem “mil e uma” coisas para fazer e quer “resolvê-las
instantaneamente”.
Acertei?
Sara Melo é natural do Rio Grande do Sul
e reside há 16 anos em Ponta Grossa.
Cantora Gospel, é casada e mãe.
Amante da literatura.
É membro - efetiva -
da Academia Ponta-grossense
de Letras e Artes 'APLA'.
Contato:
cantorasaramelo@hotmail.com
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