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Sara Melo |
No semáforo, a cor vermelha me faz parar.
Na esquina, sentados no chão, mendigos com gorros na
cabeça.
Não está frio... Mas, por que será que, mesmo nos dias
quentes, os mendigos usam gorros?
Será para
proteger suas idéias de qualquer influência externa?
Medo que
alguém tente trazê-los para o “mundo cronológico” outra vez?
Sim,
porque, ao mesmo tempo em que parecem pessoas sofridas, que
perambulam sem conforto algum, eles têm uma liberdade de ir e
vir de dar inveja.
São donos
do seu tempo. Vivem no tempo. Seu teto é o céu; seu chão, o
papelão.
Solidários, sempre dividem o pouco que possuem.
Enquanto
um deles se alimenta direto de um pote, contendo não sei o
que, o outro come na tampa do pote, e sua colher é um recorte
de garrafa pet. E o melhor é que em seus semblantes pude
perceber um ar de felicidade.
A cor do
semáforo agora é amarela, de atenção! Que, no dicionário,
significa aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa.
Esse
momento de “atenção” me faz refletir...
Quem
seriam essas pessoas antes de serem mendigos?
Esses
“filhos pródigos” da sociedade, que vivem em estágio próspero
de mendicância, alimentando-se das sobras... E o único
companheiro fiel é sempre um cão!
O
semáforo pisca pra mim, uma vez mais.
Agora,
sua cor é verde, de esperança, preciso avançar!
Discretamente dou mais uma olhadinha, esperançosa de que os
“filhos pródigos” retornem “à casa”, e outra vez façam parte
da sociedade, unidos pelo sentimento de consciência do grupo.
Sigo em
frente, com pressa.
E “eles”
seguem, sem pressa, no seu tempo.
Sara Melo é natural do Rio Grande do Sul
e reside há 16 anos em Ponta Grossa.
Cantora Gospel, é casada e mãe.
Amante da literatura.
É membro - efetiva - da Academia
Ponta-grossense
de Letras e Artes 'APLA'.
Contato:
cantorasaramelo@hotmail.com
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