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  Ponta Grossa - Paraná -  
 
Associação Médica do Paraná
fere, de morte, Medicina/UEPG


Final de abril de 2003
– Ponta Grossa, através de suas lideranças, se mostrava preocupada com as questões da Saúde. Especialmente, a falta de médicos, de medicamentos, de maior atenção de parte do governo. O deputado Jocelito Canto travava uma batalha pela conquista de um maior número de leitos de UTI, já que o déficit era muito grande, como deficitário era o número de AIHs – Autorização para Internamento Hospitalar, além de várias outras reivindicações, em favor de uma população carente no setor da Saúde.

O vereador Leopoldo Cunha Neto apresentou uma Moção de Apelo ao governador Roberto Requião, para o atendimento às necessidades dos ponta-grossenses, e realizou uma caminhada desde o prédio da Câmara Municipal até a porta do Palácio Iguaçu, meta atingida 30 horas depois, para protocolar, no Palácio, a tal moção. Jocelito participou daquela caminhada. A cidade precisava do apoio do governo, e, também, das lideranças estaduais e, é claro, das entidades médicas. Os caminhantes sequer foram recebidos pelo governador.

Vereadores repudiam Associação Médica
Os vereadores Leopoldo Cunha Neto e Eliel Polini apresentaram uma Moção de Repúdio às associações médicas Brasileira e do Paraná, pelas manifestações contra Medicina/UEPG, já que as duas entidades trabalhavam em conjunto pelo fechamento do curso. Nem todos os vereadores apoiaram a moção, que acabou sendo aprovada. Consta, em nossas anotações da época, que os vereadores médicos, Pascoal Adura, Gualter Maurício Andrade e Messias Carneiro de Moraes não assinaramo documento, os dois primeiros porque se negaram, e o último porque não se encontrava na Câmara quando da coleta das assinaturas. Também não quis assinar o vereador Nereu Malquias. Mais adiante, o leitor perceberá que a diretoria da Associação Médica de Ponta Grossa foi mais corajosa, nesse sentido.

Primeiro golpe
Ao contrário desse apoio, ainda antes de terminar aquele abril, o ponta-grossense foi surpreendido pela publicação, no Jornal A Gazeta do Povo, de Curitiba, de uma matéria, com base em “Nota Oficial” da Associação Médica do Paraná, que questionou a qualidade do Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Dizia, ainda, de uma mobilização de entidades pelo fechamento do curso. A Associação Médica, na época, realizava uma verdadeira campanha contra a criação de escolas médicas, o que chamava de “oportunismo”.

A cidade reagiu. O reitor da UEPG, Paulo Roberto Godoy, rebateu as acusações.O deputado Plauto Miró Guimarães Filho se revoltou. Disse que, ao contrário de combater o curso, a entidade deveria, sim, colaborar, oferecer sua experiência e seus conhecimentos em favor da faculdade.

Convocação
O movimento de entidades médicas contra o Curso de Medicina da UEPG continuaram no início de maio. Não havia o respeito dos dirigentes dessas entidades a sequer aos respeitados profissionais que atuavam no curso. Foi realizado, em Curitiba. O “Pré-Encontro Nacional das Entidades Médicas – Pré-Enem”, reunindo médicos e dirigentes de entidades representativas do setor das regiões Sul e Sudeste. Era noticiado que tais entidades defendiam o fechamento do curso em Ponta Grossa. O argumento apresentado pelo vice-presidente da Associação Médica Brasileira, Ronaldo da Rocha Loures (Foto publicada pelo Jornal da Associação Médica Brasileira, edição de setembro/outubro de 2003) Bueno, era que já existiam cursos de Medicina em excesso.

O deputado Plauto Filho, revoltado com esta e outras manifestações, conclamou a sociedade local e regional para uma mobilização e uma audiência como governador Roberto Requião. A intenção era a de ouvir a opinião do governador a respeito da polêmica e sobre a liberação dos recursos constantes do Orçamento do Estado para a Faculdade de Medicina. “Agora, não se trata, mais da luta de uma, ou algumas lideranças políticas, mas, da sociedade como um todo”, bradava o deputado.

Movimento
A audiência com o governador não aconteceu. Mas, a mobilização da sociedade, sim. No dia 6 de maio, atendendo sugestão do deputado Plauto, o reitor da UEPG, Paulo Roberto Godoy, recebeu uma manifestação de apoio à instituição e ao Curso de Medicina, em resposta às incursões da Associação Médica do Paraná – AMP, que pedia o fechamento do curso. Lideranças da comunidade, professores e alunos se somavam às manifestações de políticos como vereadores, o presidente da Câmara Municipal, Delmar Pimentel, o vice-prefeito Ricardo Mussi, o prefeito Péricles de Mello e o próprio Plauto Filho. Era uma primeira demonstração de que a cidade, quando provocada, sabe unir forças e reagir.

No mesmo dia, o presidente da Associação Médica de Ponta Grossa, Francisco Barros, visitou o reitor Godoy e os alunos do primeiro ano de Medicina. E declarou seu apoio ao curso, além de se colocar à disposição para ajudar na luta. “Existe uma equipe de pessoas responsáveis e altamente qualificadas, que atendem o alcance social que o curso representa para a Região dos Campos Gerais”, pronunciou o médico, em resposta à postura das associações médicas do Paraná e Brasileira. Além disto, em conjunto com a Unimed local, a Associação Médica de Ponta Grossa apresentou uma carta de apoio ao Curso de Medicina. (Leia ao lado)

Péricles
O prefeito Péricles de Mello, além de declarar apoio à Medicina/UEPG, assumiu o compromisso de reivindicar junto ao governo federal para a estruturação da disciplina. Declarou o prefeito petista que “o curso veio para contemplar um sonho e uma luta de mais de 30 anos, não só de Ponta Grossa, mas, de toda a região. O curso”, perseguiu, “ valoriza ainda mais a nossa universidade,que é respeitada em todo o País”.

Sai fora
O vereador Pascoal Adura, que não quis assinar a moção de repúdio às associações médicas do Paraná e Brasileira, resolveu fazer seu próprio protesto. Anunciou na Câmara Municipal ter enviado ofício às duas entidades, comunicando seu desligamento como filiado, “pelas atitudes dos atuais dirigentes”, não em repúdio às entidades, explicando, assim porque não assinou a moção.

Complicou
A seqüência dos fatos, até o dia 8 de maio de 2003 já mostravam que a situação era grave. Passou a “gravíssima”, indicando para um estágio terminal para o Curso de Medicina, quando, naquele dia, antes de uma viagem à Argentina, o governador Roberto Requião surpreendeu a sociedade de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, com declaração que deu ao final de uma reunião que mantinha com proprietários e diretores de jornais, emissoras de rádio e televisão do Paraná.
 

Disse o governador que tinha “um sério problema para resolver”, no caso, Medicina da UEPG, curso que, segundo ele, “foi criado a partir de uma irresponsabilidade política”. Tom de discurso que caracterizava, mais do que um pensamento racional, a ira contra seu antecessor, o ex-governador Jaime Lerner, e contra o deputado Plauto Miró Guimarães Filho. De acordo com o governador, que o Estado não teria como manter o curso que “herdou” de Lerner. Reclamou que as universidades já reivindicavam 20 milhões de reais, que o governo não tinha.

Requião pegou mais pesado, demonstrando ter posição definida quando à Medicina/UEPG, quando disse que o curso estaria funcionando sem condições e a Universidade “mentindo” para os alunos e “enganando” os pais dos acadêmicos. ‘Sei que vou pagar um preço caro, mas, governar é isto”, declarou Roberto Requião.

Já sabia
Interessante é que o deputado Jocelito Canto, depois que todos tomaram conhecimento, disse que já conhecia a posição do governador, e que tinha, inclusive uma declaração gravada de Requião a respeito. Preferiu não mostrar tal gravação, nem revelar os fatos. O decreto para o fim de Medicina estava pronto, faltando, apenas, a assinatura do governador, o que deveria fazer quando retornasse da Argentina.

O assunto tinha sido tratado em Curitiba, entre Jocelito, Plauto e outros deputados, estes ligados ao governo, entre eles, o líder do governo na Assembléia, Ângelo Vanhoni. Este argumentou que a decisão do governador somente se daria uma semana depois, e que nada aconteceria antes de Requião ouvir as lideranças de Ponta Grossa. Até então, se acreditava nessa conversa, porque, até então, se acreditava em Vanhoni.

Pelo telefone
Também no dia 8 de maio, o jornalista Adail Inglês gravou seu programa de televisão, “Verdade em Pauta”, da TVM, em sua sala, no Diário da Manhã. Participaram da gravação Plauto, Jocelito, o reitor Paulo Godoy, o presidente da Associação Médica de Ponta Grossa e o  cartorário Valter Sâmara. O assunto, evidentemente, era o Curso de Medicina. Daquela sala, Jocelito e Sâmara ligaram para Vanhoni, o qual se comprometeu em vir a Ponta Grossa no dia seguinte, para conhecer as instalações do curso.

E veio
De fato, no dia 9 o líder do governo estava em Ponta Grossa, sendo recebido pelo prefeito Péricles de Mello, em seu gabinete. Jocelito e Plauto se fizeram presentes, juntamente com vereadores e outras lideranças. Era o gabinete do prefeito do PT servindo de palco para o encontro de lideranças de partidos e posições diferentes, adversários políticos, e até mesmo inimigos políticos. Sem dúvida, Ponta Grossa estava se unindo em favor de Medicina. Aí, sim, Roberto Requião passou a ter um problema, e a saber que sua decisão poderia, mesmo lhe custar caro, na seqüência. “Governar, é isto”.

Veio e viu
Ainda no gabinete de Péricles, o reitor da UEPG mostrou a Ângelo Vanhoni todo o projeto de Medicina, as condições, a estrutura, as previsões orçamentárias e a importância do curso. Depois, todos seguiram ao Campus de Uvaranas, quando o líder de Requião pode conhecer as obras, as instalações e até mesmo conversar com professores e acadêmicos. Vanhoni assumiu o compromisso de estabelecer o diálogo entre a cidade e o governador, para que, antes de uma decisão final de Requião, houvesse uma “ampla discussão”. Todos acreditaram!

 

 

 


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