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  Ponta Grossa - Paraná -  
 
Agredida, a cidade se rebela
e promove reação histórica

13 de maio, 2002 – A Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa – ACIPG, pode já ter, antes desta data, reunido as mais diversas personalidades e política local. Mas, é possível, também, que, até então, não tenha recebido, em uma única sala, no mesmo momento, não apenas políticos, mas, a sociedade como um todo, com as divergências, com as diferenças, ideologias, posições e paixões diferentes. Mas, naquele 13 de maio, a ACIPG registrou um fato histórico. Era a reação de uma cidade, superando todas as diferenças por um único objetivo: O Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, suspenso, no dia anterior, pelo governador Roberto Requião.

Alguns nomes: Jocelito Canto, Plauto Miró Guimarães Filho, Cenir Frare da Cunha, Péricles de Mello, Ricardo Mussi e Delmar Pimentel. Integrantes do Movimento pela Ética e Cidadania, o “MovimentAção”, Douglas Fonseca, Hellenton “Tito” Fonseca, enfim, adversários e mesmo inimigos, mostrando que brigamos aqui, entre irmãos, mas, que não aceitamos que alguém, de foras, se meta em nossas divergências internas. “Eu, contra meu irmão, eu e meu irmão...”, como, no caso, Requião agrediu. E, sem saber, sem querer, uniu um povo. Claro, estamos nos referindo àquela época, àquele momento, quase que único. Vamos, então, a esta parte da história.

Mais de cem pessoas estiveram reunidas naquele dia, entre políticos, representantes de entidades e movimentos, empresários, entre outras personalidades, para, junto com o reitor da UEPG, Paulo Roberto Godoy, fazerem uma avaliação sobre o fechamento do Curso de Medicina. O encontro foi comandado pelo presidente da ACIPG, Renato Gomes Nápoli, e sugerido pelo deputado Plauto Filho.

Naquele momento, era criado o “Movimento Pró-Medicina”, que sobreviveria por quase um ano e meio, em se falando de atividades, de reação. Um movimento para unir toda uma sociedade.

Não ouviu
Não podemos aceitar a forma como ele (o governador) fez, ouvindo apenas um lado, nem aceitarmos o argumento da falta de recursos para Medicina”, protestou o deputado Plauto Miró Guimarães Filho, acrescentando: “O mesmo governo estadualizou a Faculdade de Bandeirantes, o que custará aos cofres do Estado perto de 6 milhões de reais, dinheiro mais do que suficiente para termos no nosso curso”.

“Um desrespeito à cidade. O governador não tem o direito de fazer o que fez, sem antes ter vindo aqui, conhecido o curso e discutido com a sociedade; não nos permitiu que tentássemos convencê-lo de que está errado”, reclamou o deputado Jocelito Canto, para quem, ‘em nenhum momento o governador foi desrespeitado, mas, não soube respeitar”.

O prefeito Péricles de Mello, que apoiou Roberto Requião em 2002, preferiu falar de recursos que foram liberados para a Santa Casa e o Pronto socorro, além de leitos de UTI, casas populares e “Paraná Urbano”. Sobre Medicina, falou que a suspensão foi uma decisão política. Dizendo não concordar com a atitude do governador, Péricles fez ressalva: “ele tem ajudado muito Ponta Grossa e tenho certeza que continuará ajudando”. Única voz, até então, a destoar do coro geral, pela reação.

Ações
O Movimento Pró-Medicina saiu daquela reunião com uma pauta de ações definida, a começar por uma “Nota Oficial” em nome de todas as entidades nele envolvidas. Também, a realização de um ato público, com previsão de participação de 30 a 50 mil pessoas, no Parque Ambiental. Deveria, ainda, formar uma comitiva de lideranças párea seguir a Brasília e pedir o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Finalmente, a colocação, em lojas da cidade, de motivos em preto, significando o luto da cidade pela perda do curso, além de estimular a população a colocar panos pretos em residências.

Surge Fuad
A partir daquele dia, a cidade passou a conhecer e a falar de um promotor de Justiça (dos direitos e Garantias Individuais): Fuad Chafic Faraj. Ele esteve na reunião de lideranças e contestou todos os argumentos do governador Requião. Entusiasmou os presentes e entusiasmou a comunidade. Seus argumentos pareciam incontestáveis. Esteve em visita ao reitor Paulo Godoy e verificou, “in loco” que "as acusações sobre falta de estrutura do curso são infiéis”, garantiu.

Orgulho
No dia 14 de maio, um fato marcante: A reação chegou às ruas, com acadêmicos de Medicina adesivando carros. “Medicina UEPG: Orgulho dos Campos Gerais”, era o apelo. Foi o primeiro adesivo, muitos outros viriam e milhares de carros levavam a mensagem, “infestado” a cidade. Também em vidros de muitas residências a manifestação era vista. Era o povo aderindo, participando, querendo protestar. E, diariamente, estava reunido o Movimento Pró-Medicina.

Na Justiça
O promotor Fuad Faraj, após a visita que fez à Universidade, onde solicitou toda a documentação referente ao Curso de Medicina, anunciou que estaria impetrando uma Ação Civil Pública no sentido de declarar a nulidade do decreto assinado pelo governador. Oque, de fato, fez.

Frente-a-frente

O decreto de Requião determinava que os acadêmicos de Medicina da UEPG solicitassem, em conjunto, transferência para outras universidades, para a continuidade do curso. Um documento foi elaborado e o “prato feito” foi trazido, no dia 16 de maio, pelo coordenador de Ensino Superior, Antônio José Camargo, e pela procuradora-geral do Estado, Josélia Nogueira Broliane. Os alunos se negaram a assinar o tal documento. Além disto, únicos a acadêmicos de outros cursos, tentaram impedir a entrada, no Campus, da comitiva do governo. O protesto continuou em reunião com os alunos, pais, professores e integrantes do Movimento Pró Medicina. Houve tumulto, bate-boca e troca de ameaças. Todos queriam explicações do governo.

De preto
No dia 17, acadêmicos de Medicina, apoiados por colegas outros cursos saíram às ruas, vestidos de preto e com adesivos nas camisetas, e se instalaram no Calçadão da rua Cel. Cláudio, colhendo assinaturas da população. O abaixo-assinado seria entregue ao governador. Em um dia, apenas conseguiram mais de cinco mil assinaturas.

 

 

 


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