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  Ponta Grossa - Paraná -  
 
O povo toma conta das ruas, e
Ponta Grossa "invade" a Capital
Governo fecha a porta na cara da Princesa

Como prometera, o promotor Fuad Faraj elaborou uma Ação Civil Pública como objetivo de anular o decreto do governador Roberto Requião, que suspendeu o Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Elaborou e protocolou no Fórum, no dia 19 de maio de 2003. Mas, não o fez sozinho. Cerca de duas mil pessoas o acompanharam. O Movimento Pró-Medicina organizou, para aquele dia, uma caminhada em apoio ao promotor. Logo pela manhã, começou a concentração em frente à “Casa da Cidadania”, sede do Ministério Público, coincidentemente, ao lado do prédio central da UEPG.Lá estavam várias lideranças políticas e da sociedade, dirigentes de diversas entidades, acadêmicos e populares.

A caminhada chegou à Rua Balduíno Taques, Avenida Vicente Machado, Benjamin Constant, Silva Jardim e Leopoldo Guimarães da Cunha, ate a porta do Fórum, onde houve manifestação. Um carro de som e a transmissão direta pelo rádio, feita pelo deputado Jocelito Canto, estimulou a comunidade e, assim, conforme o movimento avançava, a população ia aderindo. Nas lojas, muitas delas a “meia-porta” e com faixas pretas, em sinal de luto, comerciantes e comerciários aplaudiam a iniciativa, bem como muitas famílias nas janela de prédios residenciais, e trabalhadores, nos edifícios comerciais. Era o apoio que Fuad precisava para mostrar que a cidade não aceitou a decisão do governador. Ponta Grossa se orgulhou de sua gente. A “Princesa” viu seu povo defendendo sua dignidade, sua altivez, sua honra. A sorte estava lançada!

Depois de protocolar a Ação Civil Pública, "vestindo" a Bandeira de Ponta Grossa, o promotor Fuad Farad, ao lado do povo, defendeu o Curso de Medicina

Sensibilidade?
Enquanto isto, o deputado Jocelito Canto, depois da caminhada, comentava: “Valeu a pena, pela participação de estudantes, jovens, lideranças e populares, que mostraram a união e a força da nossa cidade”. Ele jogou mais uma cartada, apelando para a “sensibilidade” do governador Roberto Requião, como resultado daquela gigantesca manifestação.

Requião prometeu
Jocelito colocou em xeque a palavra do governador, ao lembrar que Roberto Requião, em entrevista que lhe concedeu, no rádio, havia assumido o compromisso de manter o Curso de Medicina. “Ele prometeu, de público, que manteria o curso; então, espero que ele retorne à cidade, agora, como governador, para resgatar esse compromisso”, apelou o deputado. Na Assembléia Legislativa, Jocelito, em discurso, cobrou o cumprimento da promessa do governador. E, mais do que isto, apresentou ao Plenário a gravação da promessa feita.

Argumentou o deputado que, o curso tinha professores qualificados e que a demanda foi satisfatória (173 candidatos por vaga no vestibular). Portanto, não havia porque Requião não cumprir com a promessa feita. Jocelito aprovou uma Moção de Apelo ao governador.

Duas frentes
De sua parte, o deputado Plauto Miró Guimarães Filho também se mantinha esperançoso. Entendia que a luta por Medicina conquistara duas frentes importantes: A ação na Justiça e a mobilização popular. “A população demonstrou que não aceita a atitude do governador e está fazendo valer a sua vontade”, declarou. Entusiasmado com o resultado da manifestação e com a disposição do promotor Fuad Faraj, o Movimento Pró-Medicina abria outra frente: Preparava uma manifestação, também volumosa, para Curitiba, junto à Assembléia Legislativa e ao Palácio Iguaçu.

Em Brasília
E o prefeito Péricles de Mello, demonstrando já não acreditar na boa vontade do “companheiro” Roberto Requião, procurava alternativas. A idéia, dada pelo reitor Paulo
Roberto Godoy era que, conquistando recursos federais para o Pronto Socorro e o Hospital da Criança, que serviriam de “hospital universitário”, o Curso de Medicina poderia ser mantido.

Reagiu
O Palácio Iguaçu não se calou diante da grande manifestação havida em Ponta Grossa, da reação de acadêmicos de Medicina, pais de alunos e lideranças, no enfrentamento a representantes do governo, nem diante da ousadia do promotor Fuad Faraj. O governador pediu o afastamento do promotor, acusando-o de ter incitado à “baderna”. O promotor ainda é promotor, e continua em Ponta Grossa. E já afrontou outras vezes o governador Roberto Requião.

Apelo
Mesmo perdendo alguns membros pelo caminho, o Movimento Pró-Medicina avançava em suas reuniões, traçando estratégias de ações. E, na Assembléia Legislativa, o deputado Jocelito Canto conseguiu aprovar, por unanimidade, uma Moção de Apelo ao governador, pela manutenção do Curso de Medicina da UEPG. A moção foi assinada pr 43 deputados. Isto aconteceu no dia 21 de maio.

“Invadindo a Capital”
No dia 22, Ponta Grossa surpreendeu a Capital do Estado. Perto de mil pessoas “invadiram” Curitiba em um enorme comboio, formado por 15 ônibus e dezenas de carros particulares. Curiosamente, dos 40 acadêmicos de Medicina, apenas duas alunas lá estiveram, e ninguém foi representar, oficialmente, a UEPG. Era mais uma ação do Pró-Medicina, liderada pelos deputados Plauto Miró Guimarães Filho e Jocelito Canto. A caravana chegou às 15 horas e uma comitiva, munida de faixas e cartazes, seguiu à Assembléia Legislativa, para manifestar o descontentamento com o ato do governador.

Isto entusiasmou ainda mais os deputados ponta-grossenses, que ao lado do povo, tomaram conta daquela sessão legislativa. Plauto e Jocelito fizeram discursos entusiasmados, levando vários outros deputados a também se manifestarem em favor de Ponta Grossa.

Decreto
Os deputados, além de deixarem claro que o governador Requião foi injusto para com a cidade, especialmente por não ter discutido o assunto com a sociedade local, nem com a própria Universidade, preferindo a atitude unilateral de fechar o Curso de Medicina, encaminharam um Decreto-Legislativo, pedindo o cancelamento do ato do governador.

Ao Palácio
Terminada a calorosa manifestação na Assembléia, Jocelito e Plauto lideraram uma caminhada até a frente do palácio Iguaçu. Lá, um caminhão de som os esperava, bem como às demais lideranças que participavam do movimento. Além dos deputados, várias lideranças se pronunciaram, dirigindo seus discursos ao governador Roberto Requião, chamando a atenção das milhares de pessoas que passavam pelo local, pois tratava-se da primeira grande manifestação contra o governo, no quarto mês de gestão.

Porta na cara e mentira
De parte da cidade, a caminhada ao Fórum e a manifestação em Curitiba, podem ser consideradas como as marcas principais da reação de um povo pacífico, mas, que sabe defender seus direitos. De parte do governo, além do decreto que suspendeu o Curso de Medicina, seguramente, uma outra atitude simbolizou a arrogância do governante, a desconsideração e o desrespeito para com a Cidade de Ponta Grossa. Governo da mentira!. Foi quando, naquele dia, os deputados Plauto Miró Guimarães Filho e Jocelito Canto, se dirigiram ao Palácio Iguaçu, com o objetivo de conversar com o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, que, aliás, mandou avisar que receberia uma comitiva de ponta-grossenses, ou que recepcionaria as lideranças no saguão de entrada do Palácio. Mentiu!

Quando Ponta Grossa chegou em frente à porta principal do Palácio, veio a informação de que Caíto não receberia as lideranças.
Pior do que isto, quando os legítimos representantes da cidade, eleitos pelo povo, Jocelito e Plauto, dentro do horário de expediente, tentaram adentrar ao Palácio, que é do povo de todos os paranaenses, as duas enormes portas foram fechadas “na cara” dos deputados. Outro “tapa na cara da Princesa dos Campos Gerais”.

Outra mentira
Após este ocorrido, Plauto e Jocelito, acompanhados de algumas lideranças e das duas acadêmicas, se dirigiram ao Protocolo do Palácio, por outra porta, e conseguiram protocolar um abaixo-assinado com mais de 20 mil assinaturas, pedindo a seqüência do Curso de Medicina, o mesmo documento que Caíto não quis receber.

Não vendo outra saída, pela repercussão negativa para o governo, de sua própria atitude, o chefe da Casa Civil de Requião, resolveu, finalmente, receber uma reduzida comitiva,que puderam explicar a situação do curso, e pediram uma audiência com o governador. Caíto Quintana, então, assumiu o compromisso de agendar tal audiência, acomodando os ânimos. Mentiu de novo! A audiência jamais foi agendada.

 

 

 


Três anos
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