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22/05/03 - Curitiba
Jocelito Canto

“O governador foi a Ponta Grossa na campanha e, agora, não foi conversar com o povo”

“Não estamos na ditadura, mas, estamos em um estado em que o governador manda acionar um promotor que defende o direito dos nossos jovens de cursar Medicina, depois de terem passado no vestibular e estar freqüentando as aulas”

“Não viemos para afrontá-lo, governador, mas, para fazer o que o senhor ensinou: a democracia do velho MDB de guerra, com as pessoas saindo às ruas e defendendo sues direitos”

“Na campanha, Requião dizia ‘me chama que eu vou’. Pois, agora, pode nos chamar que nós todos iremos; chama que o povo de Ponta Grossa vai até o senhor”
 

 

 

  Ponta Grossa - Paraná -  
 
Requião vem a Vila Velha, mas, de
helicóptero; Péricles sai pelos fundos

Uma esperança surgiu, quando o juiz Luiz Henrique de Miranda (1ª Vara Cível) concedeu liminar pedida pelo Ministério Público, e suspendeu o decreto do governador Roberto Requião, determinando, assim, a imediata retomadas das aulas do Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa, ao mesmo tempo em que cancelou resolução que tratava da transferência dos acadêmicos.

O promotor Fuad Faraj comemorou o fato, e disse que era o primeiro passo “para que se firme o Curso de Medicina”. Não era para tanto! O governo, afinal, anunciava que iria recorrer da decisão.
Fuad estava contente, também, porque recebeu Moção de Aplauso da Câmara Municipal e para ele, foi proposto to título de Cidadão Honorário de Ponta Grossa. No dia 27 de maio, os acadêmicos de Medicina retornavam à aulas.

Liminar é apenas liminar. Assim, a luta não parou ao sabor de uma vitória. Outras batalhas viriam. Precavido, o reitor Paulo Roberto Godoy levou diversas lideranças da sociedade para conhecer as instalações de Medicina e do conjunto das áreas de Ciências e Saúde.

Deu em nada
Certos estavam aqueles que não apostaram todas as fichas na decisão do juiz. Dois dias depois de concedida a liminar, esta era cassada pelo Tribunal de Justiça do Estado, pela caneta do desembargador José Antônio Vidal Coelho, vice-presidente do órgão. Com semblante devidamente envernizado, o governador Roberto Requião, no mesmo dia, anunciava sua primeira visita a Ponta Grossa depois de ter decretado o fim de Medicina da UEPG. Seria uma rápida visita. Ele viria de helicóptero e desceria diretamente em Vila Velha, para uma reunião de trabalho sobre a reabertura do parque. Sabendo disto, o Movimento Pró-Medicina preparou uma “recepção” ao governador. A idéia era providenciar ônibus para levar manifestantes, existir faixas e até mesmo contratar um avião para mostrar, lá de cima, outra faixa. Àquela visita, o Palácio Iguaçu determinou que nem mesmo a imprensa local teria acesso.

Pelos fundos
Foto extraída do jornal Diário da Manhã
Mesmo assim, lá estavam os manifestantes, mais de 50, na entrada do parque, onde policiais militares e rodoviários protegiam a entrada, auxiliados por uma cancela. Por volta de 10:30 horas, os manifestantes exibiam faixas a um helicóptero que sobrevoava o parque. Em seguida, se dirigiam ao trevo de acesso e fecharam, alternadamente, as duas pistas da rodovia, provocando filas de veículos. A manifestação foi acompanhada, por uma equipe atenta, mas, bastante educada, da Policia Rodoviária. Ao meio dia e meia, os manifestantes desistiram de esperar pelo retorno do helicóptero, vendo apenas algumas autoridades. Soube-se que o prefeito Péricles de Mello, que participou da reunião, preferiu sair “pelos fundos”, saindo por Furnas. Soube-se, também, que Roberto Requião e sua comitiva, bem como o prefeito Péricles, tomaram café na residência de Jorge Rosas Demiate (então presidente da Paraná Turismo). E que, lá, todos conversaram, alegremente.

Na Assembléia, governistas ouvem
reitor, mas, derrotam Medicina


No dia 2 de junho de 2003, aconteceu uma sessão bastante tumultuada na Assembléia Legislativa. Como estava programado, lá estava o reitor Paulo Roberto Godoy, para fazer uma exposição sobre o Curso de Medicina a UEPG. A apoiá-lo, cerca de 150 pessoas, entre populares, lideranças e autoridades locais. Além, é claro, dos deputados Plauto Miró Guimarães Filho e Jocelito Canto. Godoy, de fato, fez uma excelente explanação, mostrando realidade do curso, que, expôs, tinha todas as condições de funcionar normalmente, sem problemas. Até porque, além da estrutura existente, o prefeito Péricles de Mello havia oferecido parceria, pela qual Hospital da Criança e Pronto Socorro fariam as vezes do Hospital Universitário. E o presidente da Câmara Municipal, Delmar Pimentel, ofereceu certa de 1,5 milhão de reais, “sobras” do Orçamento do Legislativo.

Derrota
Só que o reitor gastou “saliva” e tempo. Estratégia de Jocelito e Plauto não funcionou. Eles aproveitaram a presença de Godoy e da massa ponta-grossense e “encaixaram” na pauta o Decreto Legislativo proposto por Plauto, que tiraria o efeito do decreto de Requião, que suspendeu Medicina. Pediram Regime de Urgência. Foi quando Ponta Grossa sentiu que, através da Assembléia, não teria de volta o curso. A urgência foi derrotada pela maioria governista, por 29 a 17. Entre os que votaram contra Medicina, estava o deputado “Delegado Bradock” e o líder do governo Ângelo Vanhoni.

Naquele mesmo dia, Jocelito Canto anunciou a apresentação de um requerimento, no qual solicitava a suspensão da estadualização da Faculdade de Bandeirantes. Essa sua manifestação contra o privilégio dado pelo governo, lhe rendeu, dias depois, uma Moção de Repúdio, pela Câmara Municipal daquela cidade. Depois, transformou o requerimento em projeto de lei, cuja urgência foi negada pela bancada governista,e ficou "por isto mesmo".

Na Justiça
Além das ações movidas pelo promotor Fuad Faraj, outras foram providenciadas, evidentemente, já que até hoje não temos o Curso de Medicina de volta, sem sucesso. Uma delas, que ganhou o apoio do Movimento Pró-Medicina, foi de iniciativa do advogado Josué Correa Fernandes, até há pouco tempo secretário municipal de Administração e Negócios Jurídicos. Ele não conseguiu seu objetivo jurídico, mas, pelo menos, o das manchetes, da evidência. Na verdade, tal ensaio de autopromoção dividiu espaço na mídia com outras iniciativas. Por exemplo, dos clubes de Lions da cidade, que, em reunião, decidiram se unir ao Movimento Pró-Medicina, em apoio pela voltado curso da UEPG. Também, as declarações do presidente da Associação Médica de Ponta Grossa, Francisco Barros (segundo o qual o governador Roberto Requião “usou as entidades médicas para suspender Medicina da UEPG”, e que “onde tem um dedo do ex-governador Jaime Lerner, tem um pé do governo atual), e do promotor Faraj, para quem “a vontade do povo resgatará Medicina”.

 

 
 

 


Três anos
sem Medicina

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A conquista

A pressão

A decisão

A reação

A reação II

A reação III

Todo dia 12

Opine

22/05/03 - Curitiba
Plauto Miró

“Essa decisão do governador foi unilateral e desconsiderou toda a vontade da população. E o resultado está aí, a comunidade vindo a Curitiba com mais de 20 mil assinaturas, cobrando seus direitos”.

“O senhor não recebeu Ponta Grossa, não ouviu a nossa cidade, mas, Ponta Grossa veio até o senhor, que, sendo um democrata, não recebe a nossa cidade, aqui representada por vinte mil pessoas”