Ponta Grossa
Cidade de Vila Velha
Princesa dos Campos Gerais

 

 

Patrocinaram o livro:


































E a
Farmácia Real

 

 

 

 
 

 



 

 

 

 

 

 

Ponta Grossa, quarta-feira, 14 de outubro de 2009
 
Cléo Teixeira e suas
Histórias de Muitas Vidas

Pelo menos três meses após o prometido, num encontro casual que tivemos na Câmara de Vereadores, a comunicadora de rádio e televisão, a cantora, atriz, aventureira, guerreira, a briguenta, a amiga Cleonice das Graças Teixeira, a Cléo, veio nos visitar e trazer o seu livro “Histórias de Muitas Vidas”.  
(Depois, entendemos a demora, pois, da visita à publicação, levamos três semanas).

O livro, um trabalho feito com capricho pela Gráfica Vila Velha, que, mais do que apostar no sucesso da obra, deu demonstração de respeito a Cléo, valorizando um texto bem escrito, claro, despojado, abusado às vezes, transmitindo a sensação de sinceridade em cada depoimento, e sempre delicioso na riqueza de detalhes em cada uma das histórias relatadas.

Corajoso? Sim, à medida que uma pessoa que é pública pelo trabalho que sempre realizou e continuará realizando, escancara a própria vida, desnudando um passado e um presente, sem qualquer temor do que isto possa representar ou refletir no seu futuro.

E conversamos com a Cléo, um papo gostoso e tão produtivo que ela se dispôs a dar sua colaboração a este Plantão da Cidade com uma coluna semanal, que sabe Deus quando será iniciada ou qual será o conteúdo, seguramente sem um padrão, pois Cléo Teixeira é sempre uma surpresa, sempre pensamos, muitas vezes constatamos e, agora,  asseguramos pelo que lemos dos seus relatos em seu livro, no muito que ainda conhecíamos.


Histórias

Assim foi nosso bate-papo, que começou para ser uma entrevista:

- Histórias de Muitas Vidas. São as muitas histórias que Cléo Teixeira viveu em uma mesma vida?

Cléo – Histórias de Muitas Vidas, a idéia surgiu há uns cinco anos, quando eu dava entrevista a uma apresentadora de televisão, e comecei a contar algumas passagens da minha vida profissional, na política, da minha vida pessoal. E algumas pessoas, conhecidas na cidade, que assistiram, sugeriram: “Por que a Cléo não escreve um livro?”.

Eu sempre tive essa vontade, mas você sabe o quanto é difícil, principalmente quando a gente não tem um patrocínio especial, quando não tem uma editora que se interesse. A gente não é tão conhecida lá fora, pra arrumar uma editora.

Mas, há um ano, parei de fazer televisão e resolvi: “Vou escrever um livro”. Sentei, me dediquei e, em cinco meses consegui colocar os relatos no papel. Muita coisa ficou faltando, mas consegui contar muita coisa, e do meu jeito. Veja que, quando pedi uma revisa do texto, a primeira pessoa que tentei entrar em contato, mas, na consegui falar, foi com você. Então procurei o Fernando Vasconcellos (escritor, membro da Academia de Letras dos Campos Gerias).

E o “Vasco” me disse: “Vou ler o teu livro, antes, mas não vou fazer uma correção, porque, senão, não será você, e o livro tem que ter o teu jeito de ser”.

E este livro é assim, do meu jeito de ser, desde que comecei, há trinta anos, quando comecei a fazer rádio, profissionalmente.

Na verdade, comecei antes, em Castro, com o Eduardinho (Eduardo Gusmão, jornalista). Fazia radio-novela.
Até vou fazer uma palestra no dia sete (outubro 09), falando de rádio-novelas, do rádio, do meu trabalho, minha luta.

Muitas vidas
Então, coloquei no livro as muitas vidas da Cléo. A Cléo radialista, jornalista, pseudojornalista, porque acredito quem jornalismo, embora você nasça com ele,você tem que passar por uma universidade, para aprender mais. Você tem diploma de jornalista?

- Não

É uma pena. Considerados como um dos melhores jornalistas de Ponta Grossa, porque tem isto dentro de você, seria bom se eu estivesse vendo, na tua parede, o teu diploma. Talvez não te fizesse melhor, mas, te faria bem.
Comigo foi assim, no rádio. Estava dentro de mim, ninguém me ensino. Claro que adquiri experiências, fui aprender lá fora, fui fazer estúdio com o Gilberto Barros, na Rádio Globo de São Paulo. Quando parti para a TV, fui fazer estúdio em canais de televisão maiores. Então, fui aprender a fazer daquilo que eu tinha, dentro de mim... um diamante, a lapidar um diamante.

Cléo Teixeira foi uma dessas parcerias inesquecíveis na minha carreira de rádio que anda meio esquecida aqui em Curitiba. Nós apresentamos juntos, por um bom tempo, na Rádio Difusora, o programa “Bom Dia Mesmo”, onde em duas vozes comentávamos sobre amenidades, atendíamos ao ouvinte e trocávamos figurinhas sobre as coisas de Ponta Grossa, horóscopos e do mundo artístico.

Foi um tempo de grande liderança de audiência e também de crescimento profissional. Esta parceria foi mesclada pela minha experiência como jornalista e a vivência de Cléo que por muitos anos foi cantora, apresentadora e trazia uma bagagem de vida admirável.

Ambos somos do signo de Leão, de personalidade forte, opiniões quase intransponíveis. Entretanto nesta mescla de visões determinadas, conseguimos, dentro do rádio e na vida em comum, um convívio harmônico e muito respeitoso, onde cada um, com seus senões, impunha ao outro muito respeito. E acho que foi porque ambos tivemos sempre um gênio muito forte é que não batemos de frente, jamais. Penso mesmo que o que prevaleceu no nosso relacionamento foram muito profissionalismo e respeito.

Forjados em escolas diferentes, nossos papéis se completavam e conseguimos transmitir isso para o ouvinte. Tivemos programas memoráveis, onde a alegria de fazer o rádio com prazer e descontração foi a assinatura de um sucesso que nos rendeu a melhor audiência do horário, das 8h às 11h30 e reconhecimento até mesmo de colegas profissionais.

Eu lembro que o Jornal da Manhã, na época, chegou a nos dedicar uma reportagem especial de página inteira sobre o programa e a parceria. E num tempo em que o rádio não era notícia.

Agora eu estou guardando uma boa oportunidade para me deliciar com a leitura do livro “Histórias de Muitas Vidas” que Cléo me trouxe, com muito carinho, aqui em Curitiba e tivemos a oportunidade, numa tarde muito agradável de reviver, em lembranças e identidades que se renovam, cada um desses momentos.

Cléo não é escritora e nunca teve a pretensão de ser. Mas este livro é o retrato de sua vida, cheia de nuances, como a de cada um de nós, pobres mortais. É uma lição de vida e não poderia ser diferente, porque Cléo passou “poucas e boas” e neste apanhado estão muito poucas das “poucas” e uma infinidade das “boas” que viveu e ainda vive.

O que eu posso registrar desta convivência toda é que fica uma excelente amizade, mas antes de qualquer outra consideração - e que são muitas - prevalece o respeito profissional, pessoal e amigo. É evidente o reconhecimento do valor inestimável que esta pessoa detém como comunicadora irrepreensível, como figura humana que soma a arte da convivência e que sabe cativar como ninguém. Cléo, para mim, Osni Gomes, é como uma irmã, que não tem sexo, cor, doutrina ou conceitos terrenos que a chancelem. É simplesmente Cléo, companheira de sempre, de horas inigualáveis e que um dia, tomara, possam voltar, mas que mesmo que não voltem, nunca irão ao esquecimento.

Mas, tenho muito ainda que aprender. Tenho que aprender com você, com o Osni Gomes (jornalista, hoje atuando em Curitiba) - depoimento ao lado -, que considero dois grandes jornalistas. Tenho que aprender muito de rádio, por aí afora.

- E aprender também com aqueles que passaram pela universidade, buscando esse complemento de conhecimentos que eu, por exemplo, não tenho. Mas, aqueles que também têm a humildade de querer aprender com a gente.

Cléo – Exatamente. E essa humildade, falta muito para muitos dos nossos profissionais de agora. Hoje em dia, se você quiser ser apresentador de televisão, embora nunca tenha passado por uma escola de televisão, ou por um programa, você se torna apresentador, porque você paga! O que te pedirem, você paga, e se torna apresentador.

O rádio, se transformou em política. Não temos mais o rádio de antigamente, em que a gente sonhava, produzia e lançava para os ouvintes. Hoje, não tem mais isso, virou uma política e você tem que vestir uma camisa ou segurar uma bandeira, mas, não da rádio, daquele que é o dono.

- Talvez eu tenha sido, senão o único, um dos pouquíssimos no rádio de Ponta Grossa apenas produtor de programas. Ainda existe aquele que produz seus próprios programas, mas, é muito difícil a figura do produtor, apenas.

Cléo – Fui âncora de um programa de entrevistas na cidade de Londrina, na Rádio CBN. Fui considerara uma das melhores âncoras. Eu tinha a produção do Paulo Ubiratã, da Folha de Londrina. Era meu mestre, como produtor de um programa jornalístico, numa rádio que só faz jornalismo, quando a CBN foi considerada uma das melhores rádios do Norte do Paraná. Tinha produção, tinha pauta. Hoje em dia não se faz mais isso. Joga-se o locutor no ar e ele que se vire.

Nós, às vezes, escapamos muito de uma opinião própria para mostrarmos a opinião de outras pessoas, ou de um partido político, dentro de um programa. Eu acho que a gente tem que ter liberdade, aquela liberdade de imprensa, tão decantada, tão falada, tão buscada, mas, que a gente não tem mais.

_ Temos ouvido a Rádio Bandeirantes – através da Rádio Clube Ponta-grossense- durante o dia, à noite e de madrugada, e, o que eles continuam fazendo lá, em termos de produção, é aquilo que a gente fazia aqui.

Cléo – Ah, sim, fazíamos. Quantos programas a gente fazia, com produção, com atenção, com carinho, com respeito ao ouvinte. É como relato no meu livro, que estou te trazendo agora, e você vai ler, aquele rádio de antigamente não existe mais.

Então, eu parei, faz um ano, com a imprensa. Quero voltar. Pretendo voltar, ano que vem, quando eu estiver melhor (de saúde). Estou buscando a minha aposentadoria.
Mas, eu quero fazer um rádio simples, alegre, feliz. Fazer rádio para o ouvinte, sem bandeira política, sem bandeira alguma.
Um rádio alegre, que não violente o ouvido das pessoas. É isto que estou buscando, agora, depois de trinta anos, a gente chega à conclusão de que não adianta fazer jornalismo dentro do rádio.

Você sabe da luta. Há quanto tempo você está com teu site, lutando para que o público possa respeitá-lo, mais ainda. É difícil, e você sabe o quanto!

- E como você pretende fazer esse rádio, com a liberdade que deseja? Comprando horário?

Cléo – Fazer o que? Com alguma parceria, que se identifique comigo, que se identifique com o público, que não fira esse público, porque... chega... Eu tenho escutado rádio, pra saber o que está sendo feito e, às vezes, me envergonho.

Quando meu filho (Guilherme) falou em ser radialista, pedi a ele que busque outro caminho. Porque, aquela escola que nós tivemos... ela fechou, faz tempo. Então, agora, ou a gente cai nas malhas do proprietário, ou a gente não faz mais nada. Mas, eu quero tentar.

- Comprar espaço e comprar a liberdade, ao mesmo tempo.

Cléo – Comprar espaço e a liberdade. Você falou tudo! E isso acaba com a gente, com o sonho da gente. Mas, eu vou tentar fazer um rádio gostoso, como quando eu comecei com o Osni Gomes, fazendo o “Bom dia Cidade, mas bom dia mesmo!”. Quando a gente fazia rádio que você produzia. Quando você chegava com os textos, com as entrevistas, e mostrava pra gente o caminho... eu queria fazer alguma coisa assim.

É sonho? Mata-se o homem, mata-se a pessoa, quando se acaba com o sonho dela. E eu não quero acabar, quero morrer em frente ao microfone de rádio. Televisão, não mais. Televisão, é sonho, é utopia feia, não é utopia bonita, não é um sonho bonito, porque, a maquiagem que se usa na televisão, é uma coisa que as pessoas não compreendem. É uma falsidade. Aquele dizer: “Ah, como a televisão é bonita, como transforma as pessoas”... Não, é um sonho.

- Imaginávamos que a televisão, hoje, seria mais fácil de fazer, porque existe a TV a cabo. E não existe rádio a cabo, você precisa se amoldar ao esquema.

Cléo – Você sai do teu métier  e você não tem o respeito comercial. Eu não sei vender, sou apresentadora. Sou radialista, sou apresentadora de TV, porque, dez anos como apresentadora de televisão, já me dá um know-how da coisa. Quantos cursos eu fiz por aí afora, por minha conta e risco, para poder aprender, para dar o melhor ao nosso telespectador, o nosso ouvinte. Mas, é complicado.

Você às vezes tem que dizer: “Não, eu sou essa bandeira”. Eu vou tentar ajudar um presidente de clube, por exemplo, mesmo que eu não me afine, não me identifique com ele, mas, os donos nos impõem, caso contrário não mais faremos parte de sua equipe.

- Voltemos ao livro.

Cléo – Histórias de muitas vidas é um livro irreverente, carinhoso, trata da minha vida desde criança, dos problemas que enfrentei, das minhas guerras intimas, de quando assumi a minha vida pessoal. Com todo o respeito, trata dos meus colegas e amigos. Trata de um vício que adquiri, ao longo da minha vida, que é o jogo.

E falo abertamente que perdi tudo, financeiramente, no jogo. E escapei, num momento muito especial, antes de lançar o livro, isto há seis meses, quando eu disse para mim mesma, “pare”!. Me ajoelhei e pedi para Deus me ajudar, porque

Ele é uma das poucas forças que ainda restam ao Ser Humano. Não virei beata, freqüento todas as igrejas, mas, passei a acreditar mais na força dEle, quando saí para jogar e não conseguia, sempre acontecia alguma coisa que me impedia.

O vício acabou? Não, é o pior vício para o Ser Humano. Hoje, eu ia jogar. Saí de casa, mas, lembrei que não havia feito uma visita para o meu amigo Castilho. E vim aqui. Então, a vontade de jogar se foi... passou. Então, Ele, de alguma forma, me ajuda nessas coisas.

E o livro trata disso. É um exemplo de vida? Não é!

Mas, é um exemplo que tento passar para os pais, os filhos, os irmãos. Enfim, dizer: ‘pôxa vida, não façam assim’ (rs). Quem sabe, fazendo de outra forma, eu me tivesse me tornado... Porque eu estive à beira de ir para São Paulo, na minha carreira; não fui por causa de vícios, por causa de vida pessoal, por causa de guerra íntima. Então, isso eu quero que se torne um exemplo.

Já estou partindo para a segunda edição, os primeiros mil exemplares já estão quase acabando. E eu entrego o livro.

- Exatamente. Como você faz isso?

Cléo – 9932-6534, é o telefone. Me liguem a qualquer hora que eu vou entregar. E o livro está em todas as bancas, na banquinha da Praça Barão do Rio Branco, em frente ao Regente Feijó; está no Sebo, que não me cobra porcentagem nenhuma, é parceiro.

Está na livraria do Palladium (Shopping), na Livraria Verbo, no Universo da Cultura... E está comigo, quem quiser, venha adquirir comigo. Pega com autógrafo! Porque, depois que eu for para o ‘Programa do Jô’, daí eu vou ficar mais famosa, né? (rs)

- Daí, as pessoas podem não te encontrar mais (rs)...

Cléo – Ah, daí não me encontram (rr). Mentira, eu sou a Cléo Teixeira, vou morrer sendo a Cléo Teixeira. Encontra comigo aonde e quando quiserem.

- E, como surgiu essa idéia, dessa forma de vender o livro, pessoalmente?

Cléo – Um dia, eu estava em casa e o meu amigo Renato (Vargas Guasque, advogado) me falou: “Cléo, eu vi seu livro em cima da mesa do Fernando da CVL e do Masini (Jovani Pedro, diretor-presidente daquela concessionária da FIAT em Ponta Grossa). E eu queria adquirir o seu livro, traga para mim”.

Levei o livro para ele e, uma semana depois, ele me ligou e falou: “Cléo, que história bonita, que história linda! Me fez recordar meu tempo de Jaguariaíva, sua mãe é de lá... Que história bonita. Vou indicar o seu livro!”.

E ele começou a indicar. Indicou para o André Barcellos, que adquiriu vários exemplares, para presentear os amigos; o Masini adquiriu mais livros, ainda, para dar de presente. E, assim, as pessoas estão lendo e estão indicando. Daí, me ligam, e eu vou entregar.

E, cada entrevista que eu dou para meus amigos de imprensa, que eu quero destacar, aqui, que têm me dado uma força incrível, cada pessoa que me convida, e eu sempre vou, no programa de rádio, televisão, ou num jornal, eu vendo algum livro.

Então, tem sido esse o contato. E o contato com o escritor é muito importante!

Dia destes, fui entregar o livro a uma senhora e ela me esperou com um pão de casa é um café com leite, e, com a maior alegria, recebeu o meu livro, com a maior alegria ela pagou, porque isto está sendo minha sobrevivência. Eu não sou aposentada, não estou trabalhando em parte alguma, nem posso, pois a minha depressão às vezes me segura em casa, é quando eu não quero sair, me enfio debaixo das cobertas, não quero ver ninguém.

Eu tenho uma depressão, que eu não acreditava, ela é bipolar. Então, tem dias que estou super bem. Hoje, eu estou bem; amanhã, posso estar debaixo das cobertas sem querer ver ninguém. Eu tenho um diabetes que eu não cuido... estou falando contigo e estou chupando uma balinha... Larguei de fumar, graças a Deus! Tenho os médicos que cuidam de mim, e vou levando a minha vida até quando Deus quiser. E queria que Deus me levasse com bastante tempo de vida. Na minha família, os mais velhos morreram, assim, com 90, 96 anos. Eu não sei se vou conseguir, estou tentando!

- Recordo que, um dia, a Cléo chegou, já com câmera e microfone ligados, adentrou à nossa banca de revistas, para uma pequena participação em seu programa. Começamos a conversar e Cléo exclamou: “Isto dá um especial para uma semana”, não recordo o nome do quadro. E realmente deu gravação para uma semana.

Cléo – Você lembra disso?

- Com certeza

Cléo – Eu gostava disso. Vou te dizer uma coisa: Ninguém da TV chegou até você, pedindo para você contasse sobre a tua profissão, que é rica, de pormenores que merecem ser contados, que as pessoas merecem saber. Como o Castilho começou, como ele fez, qual sua luta, os problemas que enfrentou. Então, eu fiz desse programa de TV, o “Troca-troca”, entrevista com essas pessoas, eu queria que Ponta Grossa inteira soubesse.

É que algumas pessoas dizem por exemplo, ‘aquele jornalista é um chato’, mas, poucos sabem o que você fez para chegar a ter o teu nome. É uma luta!

Não é fácil você fazer, por exemplo, um programa de duas horas na televisão, ou duas horas de rádio, claro, quando bem feito. Não é fácil fazer um site. Eu sei que você trabalha dia e noite, vai dormir às quatro horas da manhã. Pouca gente sabe disso, que você se entrega ao seu trabalho. Pouca gente sabe que o nosso amigo Nilson de Oliveira, da rádio Central, levanta às quatro horas da manhã para produzir o programa dele.

- E isto há muitos e muitos anos. Pesquisando, ouvindo emissoras de outros centros, agora também na Internet. Ele e Maria Luiza (de Oliveira, esposa de Nilson).

Cléo - E, quem sabe disso? Quem sabe da tua luta, da tua vida. Você também não se aposentou, está tentando.

- E para continuar trabalhando!

Cléo – Por que? Porque nós não tivemos, e aqui vai uma opinião minha, não sei se tu também, não tivemos alguns patrões que tivessem se interessado pela nossa velhice. E eu nunca me interessei pela minha própria, eu deixava de lado, eu queria trabalhar, o meu desejo era trabalhar. Então, não me preocupava se eu tinha registro em carteira, se estavam recolhendo, quanto eu ganhava, nunca me importei com isso; eu queria trabalhar. E esse foi o pecado de muita gente. E, hoje, estamos lutando pela nossa aposentadoria. O INSS, às vezes, não reconhece isto, que nós lutamos.

Comecei a trabalhar profissionalmente em 1979, quando cheguei em Ponta Grossa. Mas, eu trabalho desde a Rádio Castro, quando eu tinha 15 anos. Trabalhei com 12 anos de idade como “office-boy”, em um escritório, na cidade de Ourinhos (SP). Infelizmente, queimou o escritório e queimaram-se os documentos e não tenho como comprovar aquele tempo de serviço.

Então, a gente trabalha há muito tempo. E tem gente, por aí, que trabalha faz pouco tempo, e tem alta aposentadoria. Eu luto por uma aposentadoria mínima, mas, que me dê um pouco de sustento, pra eu poder sobreviver. Eu tenho um filho que está começando sua luta agora. Mas, eu quero que ele se realize como um homem de bem, que ele tenha o que comer em casa. Não quero luxo, porque, luxo eu já tive, já ganhei muito. Agora, eu quero sobreviver, até morrer em paz.

- Para que a gente até possa ter a tranqüilidade de eliminar todo e qualquer resquício de alguma dependência que a gente possa ter, que nos tolhe um pouquinho da liberdade, pela qual lutamos tanto. No nosso caso, algum patrocínio, alguma verba.

Cléo – Eu tive, no meu livro, diversos patrocinadores, que você vai evidenciar no teu site. Diversos patrocinadores, aos quais quero agradecer, pois me deram o carinho, para esta atleticana paranaense e santista. Atleticano, você também é. Para que time você torce, no Brasil?

- Para o Clube Atlético Paranaense.

Cléo – Que maravilha. Leia (no livro), aqui, para mim, pois estou sem óculos.

- (lendo) Cléo Teixeira, nasceu em Londrina, tendo escolhido Ponta Grossa para viver e morrer (Que cena, não? – rs). Radialista e apresentadora de TV, santista e atleticana (bom gosto!), formada pela escola da vida, e amante do mundo (que lindo,maravilhoso).

Cléo – Gostou?

- Um pequeno resumo de algo que está no seu livro, para os nossos leitores, Cléo.

(
Cléo vai até seu carro, apanhar os óculos).
Cléo – Como você pediu, vou ler meia página, deste livro de 120 páginas. Neste trecho, falo sobre Política. Os amigos que conheci dentro da Política, o que fizemos, ou tentamos fazer dentro da política. Eu encerro esta página (65), são três páginas sobre política, dizendo o seguinte:

(Lendo) Na política, conheci desfavorecidos e favorecidos pela sorte, por estarem ao lado das pessoas certas, e das incertas. Conheci os corruptos, a força do dinheiro na compra de votos, ganhando eleições, em muitas épocas. Onde as falcatruas e os comprados, entre aspas, fizeram as eleições e ganharam cargos. Conheci homens e mulheres, de bem e para o bem. Mas, me deparei com a tristeza das inverdades, dos homens e mulheres do mal.

Na política, sofri repressões, e me deparei com a verdadeira guerra pelo poder. E, por falar verdades e lutar por muitas delas, e pela terra onde eu não nasci, mas adotei, fico à margem. Conheci a inveja, mal do ser humano que não tem capacidade para vencer por conta do seu caráter e não usar disfarces.

Aprendi a respeitar inimigos, mesmo não estando ao seu lado, mas, admirando o trabalho e a capacidade. Que aqueles que têm o mando nas mãos possam respeitar suas cadeiras e os votos daqueles que os escolhem, e que tenham sempre um único pensamento:  dedicação limpa e séria.

De cara limpa, durmo tranqüila, mesmo ainda sonhando com uma cidade mais justa e humana para todos.

(Cléo lê, também, uma observação que faz no final da página) Uma reunião de alguns políticos é algo assim: Colocar na mesma sala Cassandra Rios, a melhor escritora brasileira de temas lésbicos, como Eudemonia; Salmon Bushdie, o autor de ‘Versos  Satânicos’; Morris West, escritor de ‘O advogado do Diabo’; o autor policial Dennis Lehane e o profético sonhador e ilusionista Paulo Coelho. À esta turma  famosa, inserir comicidade e fôlego.

E o interesse do povo, para quem o político trabalha? Dane-se o povo! Fecha-se a reunião com uma salada rochefocour ou vodka russa a três graus, ou pizza com bordas de queijo!

E, antes de tomar qualquer atitude com relação ao seu voto e sua escolha, consulte site que diz tudo sobre a vida dos nossos políticos: www.transparencia.org.com


- Você já incursionou pela política (foi candidata a vereadora em Ponta Grossa). Foi apenas uma aventura, ou é ainda um desejo?

Cléo – Não quero mais. Não, não quero! Eu sofri muito na Política.   Não ganhei nada na Política. Ganhei experiência, porque, quem faz política, tem que ter dinheiro no bolso. Nós não podemos fazer política, sabia? Você faz por sonho, por paixão. Você admira por quem você trabalha, e, depois, você se desencanta, muitas vezes. Penso que é assim.
Então, eu, política, seria uma pedra no sapato de quem estivesse lá, ou seria uma fracassada.

- Nos últimos anos, vivi envolvido com a Política, acompanhando e até procurando orientar políticos, tentando ser esse elo necessário entre o político e a população. Agora, quase que em fim de carreira, como a Cléo, com a alegria de dizer: ‘Acompanhei, mas, não participei disto'.

Cléo – Verdade! Acho que a melhor coisa do Mundo, é você poder, como digo no me livro, dormir tranqüila, mesmo que dormindo pouco. Eu tenho uma insônia danada, durmo muito pouco e acordo muito cedo, às oito horas da manhã. Quando não vou cantar, eu durmo. E durmo de babar na frente da televisão. Mas, durmo tranqüila. Não tem essa coisa, sabe, de ficar olhando para o travesseiro e pensar: ‘Quanta coisa errada eu fiz na Política. Não, eu durmo tranqüila. Não tive preço. Uma vez, me chegaram e disseram: ‘Cléo, saia disso, venha com a gente, teu preço é este’. Deram o primeiro cheque, eu mostrei na televisão, oferecendo de volta, no meu horário eleitoral, em um discurso que o Osni (Gomes) fez para mim, e você também ajudou, e devolvi o cheque. Foi à televisão, mostrei e perdi a eleição. Não sirvo para ser vereadora, ou qualquer outra coisa na Política.
(Na foto, Cléo Teixeira e a fotógrafa e jornalista Fabiana Guedes)

Dormir com tranqüilidade, é o que vale na vida da gente; comer uma carninha, o feijão com arroz... Por que eu vou querer ganhar dinheiro? Pra ir para Cancun? O que eu vou aprender lá? Sei, lá, mostrar fotos e vídeos, mas, aprender? Se tanta gente passa uma fome danada, neste mundo, e tantos não vêem isso. Tantos, com altos salários, altas aposentadorias, conquistadas não sei como, porque a minha, para ganhar dois ou três salários, está uma luta desgraçada...

Então, fico pensando: ‘Por que este Mundo tão injusto, com tanta injustiça praticada por aí’. E é sobre isto, e tantas coisas mais, que estou aceitando escrever para o teu site, o cotidiano, um dia uma crônica sobre a amizade; outro dia sobre o que eu vejo, de uma injustiça, de algo que possa fazer com que as pessoas parem um pouco e pensem: ‘será que já fiz a minha parte, ou estou devendo?’. Porque, se dermos uma parcela, por mínima que seja, para tentarmos amenizar alguma coisa, a gente consegue, com certeza. A gente não pode fazer milagres, mas, ajuda em alguma coisa! Estamos fazendo a nossa parte, e é difícil. Mas, um dia, homens e mulheres esquecerão a famosa “Torre de Babel”, esquecerão “Sodoma e Gomorra” e vão poder viver mais tranqüilos. Eu busco isso!

- Sem a pretensão de sermos exemplo para o Mundo, para o País, para a nossa cidade, o bairro, ou nossa rua. Se tivermos a felicidade de um dos nossos atos servir como exemplo para um de nossos filhos, terá sido o suficiente.

Cléo (emocionada) – Para um deles, só isso, e terá valido à pena!

 

 

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