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Histórias
Assim
foi nosso bate-papo, que começou para ser
uma entrevista:
- Histórias
de Muitas Vidas. São as muitas histórias que
Cléo Teixeira viveu em uma mesma vida?
Cléo –
Histórias de Muitas Vidas, a idéia surgiu há
uns cinco anos, quando eu dava entrevista a
uma apresentadora de televisão, e comecei a
contar algumas passagens da minha vida
profissional, na política, da minha vida
pessoal. E algumas pessoas, conhecidas na
cidade, que assistiram, sugeriram: “Por que
a Cléo não escreve um livro?”.
Eu sempre tive essa vontade, mas você sabe o
quanto é difícil, principalmente quando a
gente não tem um patrocínio especial, quando
não tem uma editora que se interesse. A
gente não é tão conhecida lá fora, pra
arrumar uma editora.
Mas, há um ano, parei de fazer televisão e
resolvi: “Vou escrever um livro”. Sentei, me
dediquei e, em cinco meses consegui colocar
os relatos no papel. Muita coisa ficou
faltando, mas consegui contar muita coisa, e
do meu jeito. Veja que, quando pedi uma
revisa do texto, a primeira pessoa que
tentei entrar em contato, mas, na consegui
falar, foi com você. Então procurei o
Fernando Vasconcellos (escritor, membro da
Academia de Letras dos Campos Gerias).
E
o “Vasco” me disse: “Vou ler o teu livro,
antes, mas não vou fazer uma correção,
porque, senão, não será você, e o livro tem
que ter o teu jeito de ser”.
E este livro é assim, do meu jeito de ser,
desde que comecei, há trinta anos, quando
comecei a fazer rádio, profissionalmente.
Na verdade, comecei antes, em Castro, com o
Eduardinho (Eduardo Gusmão, jornalista).
Fazia radio-novela.
Até vou fazer uma palestra no dia sete
(outubro 09), falando de rádio-novelas, do
rádio, do meu trabalho, minha luta.
Muitas vidas
Então, coloquei no livro as muitas vidas da
Cléo. A Cléo radialista, jornalista,
pseudojornalista, porque acredito quem
jornalismo, embora você nasça com ele,você
tem que passar por uma universidade, para
aprender mais. Você tem diploma de
jornalista?
- Não
É
uma pena. Considerados como um dos melhores
jornalistas de Ponta Grossa, porque tem isto
dentro de você, seria bom se eu estivesse
vendo, na tua parede, o teu diploma. Talvez
não te fizesse melhor, mas, te faria bem.
Comigo foi assim, no rádio. Estava dentro de
mim, ninguém me ensino. Claro que adquiri
experiências, fui aprender lá fora, fui
fazer estúdio com o Gilberto Barros, na
Rádio Globo de São Paulo. Quando parti para
a TV, fui fazer estúdio em canais de
televisão maiores. Então, fui aprender a
fazer daquilo que eu tinha, dentro de mim...
um diamante, a lapidar um diamante.
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Cléo Teixeira foi uma dessas parcerias
inesquecíveis na minha carreira de rádio que anda meio
esquecida aqui em Curitiba. Nós apresentamos juntos, por
um bom tempo, na Rádio Difusora, o programa “Bom Dia
Mesmo”, onde em duas vozes comentávamos sobre amenidades,
atendíamos ao ouvinte e trocávamos figurinhas sobre as
coisas de Ponta Grossa, horóscopos e do mundo artístico.
Foi um tempo de grande
liderança de audiência e também de crescimento
profissional. Esta parceria foi mesclada pela minha
experiência como jornalista e a vivência de Cléo que por
muitos anos foi cantora, apresentadora e trazia uma
bagagem de vida admirável.
Ambos somos do signo
de Leão, de personalidade forte, opiniões quase
intransponíveis. Entretanto nesta mescla de visões
determinadas, conseguimos, dentro do rádio e na vida em
comum, um convívio harmônico e muito respeitoso, onde cada
um, com seus senões, impunha ao outro muito respeito. E
acho que foi porque ambos tivemos sempre um gênio muito
forte é que não batemos de frente, jamais. Penso mesmo que
o que prevaleceu no nosso relacionamento foram muito
profissionalismo e respeito.
Forjados em escolas
diferentes, nossos papéis se completavam e conseguimos
transmitir isso para o ouvinte. Tivemos programas
memoráveis, onde a alegria de fazer o rádio com prazer e
descontração foi a assinatura de um sucesso que nos rendeu
a melhor audiência do horário, das 8h às 11h30 e
reconhecimento até mesmo de colegas profissionais.
Eu lembro que o Jornal
da Manhã, na época, chegou a nos dedicar uma reportagem
especial de página inteira sobre o programa e a parceria.
E num tempo em que o rádio não era notícia.
Agora eu estou
guardando uma boa oportunidade para me deliciar com a
leitura do livro “Histórias de Muitas Vidas” que Cléo me
trouxe, com muito carinho, aqui em Curitiba e tivemos a
oportunidade, numa tarde muito agradável de reviver, em
lembranças e identidades que se renovam, cada um desses
momentos.
Cléo não é escritora e
nunca teve a pretensão de ser. Mas este livro é o retrato
de sua vida, cheia de nuances, como a de cada um de nós,
pobres mortais. É uma lição de vida e não poderia ser
diferente, porque Cléo passou “poucas e boas” e neste
apanhado estão muito poucas das “poucas” e uma infinidade
das “boas” que viveu e ainda vive.
O que eu posso
registrar desta convivência toda é que fica uma excelente
amizade, mas antes de qualquer outra consideração - e que
são muitas - prevalece o respeito profissional, pessoal e
amigo. É evidente o reconhecimento do valor inestimável
que esta pessoa detém como comunicadora irrepreensível,
como figura humana que soma a arte da convivência e que
sabe cativar como ninguém. Cléo, para mim, Osni Gomes, é
como uma irmã, que não tem sexo, cor, doutrina ou
conceitos terrenos que a chancelem. É simplesmente Cléo,
companheira de sempre, de horas inigualáveis e que um dia,
tomara, possam voltar, mas que mesmo que não voltem, nunca
irão ao esquecimento. |
Mas, tenho muito ainda que aprender. Tenho
que aprender com você, com o
Osni Gomes
(jornalista, hoje atuando em Curitiba) -
depoimento ao lado
-, que
considero dois grandes jornalistas. Tenho
que aprender muito de rádio, por aí afora.
- E aprender
também com aqueles que passaram pela
universidade, buscando esse complemento de
conhecimentos que eu, por exemplo, não
tenho. Mas, aqueles que também têm a
humildade de querer aprender com a gente.
Cléo –
Exatamente. E essa humildade, falta muito
para muitos dos nossos profissionais de
agora. Hoje em dia, se você quiser ser
apresentador de televisão, embora nunca
tenha passado por uma escola de televisão,
ou por um programa, você se torna
apresentador, porque você paga! O que te
pedirem, você paga, e se torna apresentador.
O rádio, se transformou em política. Não
temos mais o rádio de antigamente, em que a
gente sonhava, produzia e lançava para os
ouvintes. Hoje, não tem mais isso, virou uma
política e você tem que vestir uma camisa ou
segurar uma bandeira, mas, não da rádio,
daquele que é o dono.
- Talvez eu
tenha sido, senão o único, um dos
pouquíssimos no rádio de Ponta Grossa apenas
produtor de programas. Ainda existe aquele
que produz seus próprios programas, mas, é
muito difícil a figura do produtor, apenas.
Cléo – Fui
âncora de um programa de entrevistas na
cidade de Londrina, na Rádio CBN. Fui
considerara uma das melhores âncoras. Eu
tinha a produção do Paulo Ubiratã, da Folha
de Londrina. Era meu mestre, como produtor
de um programa jornalístico, numa rádio que
só faz jornalismo, quando a CBN foi
considerada uma das melhores rádios do Norte
do Paraná. Tinha produção, tinha pauta. Hoje
em dia não se faz mais isso. Joga-se o
locutor no ar e ele que se vire.
Nós, às vezes, escapamos muito de uma
opinião própria para mostrarmos a opinião de
outras pessoas, ou de um partido político,
dentro de um programa. Eu acho que a gente
tem que ter liberdade, aquela liberdade de
imprensa, tão decantada, tão falada, tão
buscada, mas, que a gente não tem mais.
_ Temos
ouvido a Rádio Bandeirantes – através da
Rádio Clube Ponta-grossense- durante o dia,
à noite e de madrugada, e, o que eles
continuam fazendo lá, em termos de produção,
é aquilo que a gente fazia aqui.
Cléo – Ah,
sim, fazíamos. Quantos programas a gente
fazia, com produção, com atenção, com
carinho, com respeito ao ouvinte. É como
relato no meu livro, que estou te trazendo
agora, e você vai ler, aquele rádio de
antigamente não existe mais.
Então, eu parei, faz um ano, com a imprensa.
Quero voltar. Pretendo voltar, ano que vem,
quando eu estiver melhor (de saúde). Estou
buscando a minha aposentadoria.
Mas, eu
quero fazer um rádio simples, alegre, feliz.
Fazer rádio para o ouvinte, sem bandeira
política, sem bandeira alguma.
Um rádio
alegre, que não violente o ouvido das
pessoas. É isto que estou buscando, agora,
depois de trinta anos, a gente chega à
conclusão de que não adianta fazer
jornalismo dentro do rádio.
Você sabe da luta. Há quanto tempo você está
com teu site, lutando para que o público
possa respeitá-lo, mais ainda. É difícil, e
você sabe o quanto!
- E como
você pretende fazer esse rádio, com a
liberdade que deseja? Comprando horário?
Cléo – Fazer
o que? Com alguma parceria, que se
identifique comigo, que se identifique com o
público, que não fira esse público,
porque... chega... Eu tenho escutado rádio,
pra saber o que está sendo feito e, às
vezes, me envergonho.
Quando
meu filho (Guilherme) falou em ser
radialista, pedi a ele que busque outro
caminho. Porque, aquela escola que nós
tivemos... ela fechou, faz tempo. Então,
agora, ou a gente cai nas malhas do
proprietário, ou a gente não faz mais nada.
Mas, eu quero tentar.
- Comprar
espaço e comprar a liberdade, ao mesmo
tempo.
Cléo –
Comprar espaço e a liberdade. Você falou
tudo! E isso acaba com a gente, com o sonho da
gente. Mas, eu vou tentar fazer um rádio
gostoso, como quando eu comecei com o Osni
Gomes, fazendo o “Bom dia Cidade, mas bom
dia mesmo!”. Quando a gente fazia rádio que
você produzia. Quando você chegava com os
textos, com as entrevistas, e mostrava pra
gente o caminho... eu queria fazer alguma
coisa assim.
É sonho? Mata-se o homem, mata-se a pessoa,
quando se acaba com o sonho dela. E eu não
quero acabar, quero morrer em frente ao
microfone de rádio. Televisão, não mais.
Televisão, é sonho, é utopia feia, não é
utopia bonita, não é um sonho bonito,
porque, a maquiagem que se usa na televisão,
é uma coisa que as pessoas não compreendem.
É uma falsidade. Aquele dizer: “Ah, como a
televisão é bonita, como transforma as
pessoas”... Não, é um sonho.
- Imaginávamos que a televisão, hoje, seria
mais fácil de fazer, porque existe a TV a
cabo. E não existe rádio a cabo, você
precisa se amoldar ao esquema.
Cléo – Você sai do teu métier e você
não tem o respeito comercial. Eu não sei
vender, sou apresentadora. Sou radialista,
sou apresentadora de TV, porque, dez anos
como apresentadora de televisão, já me dá um
know-how da coisa. Quantos cursos eu
fiz por aí afora, por minha conta e risco,
para poder aprender, para dar o melhor ao
nosso telespectador, o nosso ouvinte. Mas, é
complicado.
Você às vezes tem que dizer: “Não, eu sou
essa bandeira”. Eu vou tentar ajudar um
presidente de clube, por exemplo, mesmo que
eu não me afine, não me identifique com ele,
mas, os donos nos impõem, caso contrário não
mais faremos parte de sua equipe.
- Voltemos
ao livro.
Cléo
– Histórias de muitas vidas é um livro
irreverente, carinhoso, trata da minha vida
desde criança, dos problemas que enfrentei,
das minhas guerras intimas, de quando assumi
a minha vida pessoal. Com todo o respeito,
trata dos meus colegas e amigos. Trata de um
vício que adquiri, ao longo da minha vida,
que é o jogo.
E falo abertamente que perdi tudo,
financeiramente, no jogo. E escapei, num
momento muito especial, antes de lançar o
livro, isto há seis meses, quando eu disse
para mim mesma, “pare”!. Me ajoelhei e pedi
para Deus me ajudar, porque
Ele é uma das poucas forças que ainda restam
ao Ser Humano. Não virei beata, freqüento
todas as igrejas, mas, passei a acreditar
mais na força dEle, quando saí para jogar e
não conseguia, sempre acontecia alguma coisa
que me impedia.
O vício acabou? Não, é o pior vício para o
Ser Humano. Hoje, eu ia jogar. Saí de casa,
mas, lembrei que não havia feito uma visita
para o meu amigo Castilho. E vim aqui.
Então, a vontade de jogar se foi... passou.
Então, Ele, de alguma forma, me ajuda nessas
coisas.
E o livro trata disso. É um exemplo de vida?
Não é!
Mas, é um exemplo que tento passar para os
pais, os filhos, os irmãos. Enfim, dizer:
‘pôxa vida, não façam assim’ (rs). Quem
sabe, fazendo de outra forma, eu me tivesse
me tornado... Porque eu estive à beira de ir
para São Paulo, na minha carreira; não fui
por causa de vícios, por causa de vida
pessoal, por causa de guerra íntima. Então,
isso eu quero que se torne um exemplo.
Já estou partindo para a segunda edição, os
primeiros mil exemplares já estão quase
acabando. E eu entrego o livro.
-
Exatamente. Como você faz isso?
Cléo – 9932-6534, é o telefone. Me
liguem a qualquer hora que eu vou entregar.
E o livro está em todas as bancas, na
banquinha da Praça Barão do Rio Branco, em
frente ao Regente Feijó; está no Sebo, que
não me cobra porcentagem nenhuma, é
parceiro.
Está na livraria do Palladium (Shopping), na
Livraria Verbo, no Universo da Cultura... E
está comigo, quem quiser, venha adquirir
comigo. Pega com autógrafo! Porque, depois
que eu for para o ‘Programa do Jô’, daí eu
vou ficar mais famosa, né? (rs)
- Daí, as pessoas
podem não te encontrar mais (rs)...
Cléo – Ah, daí não me encontram (rr).
Mentira, eu sou a Cléo Teixeira, vou morrer
sendo a Cléo Teixeira. Encontra comigo aonde
e quando quiserem.
- E, como surgiu essa
idéia, dessa forma de vender o livro,
pessoalmente?
Cléo
– Um dia, eu estava em casa e o meu amigo
Renato (Vargas Guasque,
advogado) me falou: “Cléo, eu vi seu livro
em cima da mesa do Fernando da CVL e do
Masini (Jovani Pedro, diretor-presidente
daquela concessionária da FIAT em Ponta
Grossa). E eu queria adquirir o seu livro,
traga para mim”.
Levei o livro para ele e, uma semana depois,
ele me ligou e falou: “Cléo, que história
bonita, que história linda! Me fez recordar
meu tempo de Jaguariaíva, sua mãe é de lá...
Que história bonita. Vou indicar o seu
livro!”.
E ele começou a indicar. Indicou para o
André Barcellos, que adquiriu vários
exemplares, para presentear os amigos; o
Masini adquiriu mais livros, ainda, para dar
de presente. E, assim, as pessoas estão
lendo e estão indicando. Daí, me ligam, e eu
vou entregar.
E, cada entrevista que eu dou para meus
amigos de imprensa, que eu quero destacar,
aqui, que têm me dado uma força incrível,
cada pessoa que me convida, e eu sempre
vou, no programa de rádio, televisão, ou num
jornal, eu vendo algum livro.
Então, tem sido esse o contato. E o contato
com o escritor é muito importante!
Dia destes, fui entregar o livro a uma
senhora e ela me esperou com um pão de casa
é um café com leite, e, com a maior alegria,
recebeu o meu livro, com a maior alegria ela
pagou, porque isto está sendo minha
sobrevivência. Eu não sou aposentada, não
estou trabalhando em parte alguma, nem
posso, pois a minha depressão às vezes me
segura em casa, é quando eu não quero sair,
me enfio debaixo das cobertas, não quero ver
ninguém.
Eu tenho uma depressão, que eu não
acreditava, ela é bipolar. Então, tem dias
que estou super bem. Hoje, eu estou bem;
amanhã, posso estar debaixo das cobertas sem
querer ver ninguém. Eu tenho um diabetes que
eu não cuido... estou falando contigo e
estou chupando uma balinha... Larguei de
fumar, graças a Deus! Tenho os médicos que
cuidam de mim, e vou levando a minha vida
até quando Deus quiser. E queria que Deus me
levasse com bastante tempo de vida. Na minha
família, os mais velhos morreram, assim, com
90, 96 anos. Eu não sei se vou conseguir,
estou tentando!
- Recordo que, um dia,
a Cléo chegou, já com câmera e microfone
ligados, adentrou à nossa banca de revistas,
para uma pequena participação em seu
programa. Começamos a conversar e Cléo
exclamou: “Isto dá um especial para uma
semana”, não recordo o nome do quadro. E
realmente deu gravação para uma semana.
Cléo – Você lembra disso?
- Com certeza
Cléo – Eu gostava disso. Vou te dizer uma
coisa: Ninguém da TV chegou até você,
pedindo para você contasse sobre a tua
profissão, que é rica, de pormenores que
merecem ser contados, que as pessoas merecem
saber. Como o Castilho começou, como ele
fez, qual sua luta, os problemas que
enfrentou. Então, eu fiz desse programa de
TV, o “Troca-troca”, entrevista com essas
pessoas, eu queria que Ponta Grossa inteira
soubesse.
É que algumas pessoas dizem por exemplo,
‘aquele jornalista é um chato’, mas, poucos
sabem o que você fez para chegar a ter o teu
nome. É uma luta!
Não é fácil você fazer, por exemplo, um
programa de duas horas na televisão, ou duas
horas de rádio, claro, quando bem feito. Não
é fácil fazer um site. Eu sei que você
trabalha dia e noite, vai dormir às quatro
horas da manhã. Pouca gente sabe disso, que
você se entrega ao seu trabalho. Pouca gente
sabe que o nosso amigo Nilson de Oliveira,
da rádio Central, levanta às quatro horas da
manhã para produzir o programa dele.
- E isto há muitos e
muitos anos. Pesquisando, ouvindo emissoras
de outros centros, agora também na Internet.
Ele e Maria Luiza (de Oliveira, esposa de
Nilson).
Cléo - E, quem sabe disso? Quem sabe da tua
luta, da tua vida. Você também não se
aposentou, está tentando.
- E para continuar
trabalhando!
Cléo – Por que? Porque nós não tivemos, e
aqui vai uma opinião minha, não sei se tu
também, não tivemos alguns patrões que
tivessem se interessado pela nossa velhice.
E eu nunca me interessei pela minha própria,
eu deixava de lado, eu queria trabalhar, o
meu desejo era trabalhar. Então, não me
preocupava se eu tinha registro em carteira,
se estavam recolhendo, quanto eu ganhava,
nunca me importei com isso; eu queria
trabalhar. E esse foi o pecado de muita
gente. E, hoje, estamos lutando pela nossa
aposentadoria. O INSS, às vezes, não
reconhece isto, que nós lutamos.
Comecei a trabalhar profissionalmente em
1979, quando cheguei em Ponta Grossa. Mas,
eu trabalho desde a Rádio Castro, quando eu
tinha 15 anos. Trabalhei com 12 anos de
idade como “office-boy”, em um escritório,
na cidade de Ourinhos (SP). Infelizmente,
queimou o escritório e queimaram-se os
documentos e não tenho como comprovar aquele
tempo de serviço.
Então, a gente trabalha há muito tempo. E
tem gente, por aí, que trabalha faz pouco
tempo, e tem alta aposentadoria. Eu luto por
uma aposentadoria mínima, mas, que me dê um
pouco de sustento, pra eu poder sobreviver.
Eu tenho um filho que está começando sua
luta agora. Mas, eu quero que ele se realize
como um homem de bem, que ele tenha o que
comer em casa. Não quero luxo, porque, luxo
eu já tive, já ganhei muito. Agora, eu quero
sobreviver, até morrer em paz.
- Para que a gente até
possa ter a tranqüilidade de eliminar todo e
qualquer resquício de alguma dependência que
a gente possa ter, que nos tolhe um
pouquinho da liberdade, pela qual lutamos
tanto. No nosso caso, algum patrocínio,
alguma verba.
Cléo – Eu tive, no meu livro,
diversos patrocinadores, que você vai
evidenciar no teu site. Diversos
patrocinadores, aos quais quero agradecer,
pois me deram o carinho, para esta
atleticana paranaense e santista.
Atleticano, você também é. Para que time
você torce, no Brasil?
- Para o Clube
Atlético Paranaense.
Cléo – Que maravilha. Leia (no
livro), aqui, para mim, pois estou sem
óculos.
- (lendo) Cléo
Teixeira, nasceu em Londrina, tendo
escolhido Ponta Grossa para viver e morrer
(Que cena, não? – rs). Radialista e
apresentadora de TV, santista e atleticana
(bom gosto!), formada pela escola da vida, e
amante do mundo (que lindo,maravilhoso).
Cléo – Gostou?
- Um pequeno resumo de
algo que está no seu livro, para os nossos
leitores, Cléo.
(Cléo vai até seu carro, apanhar os
óculos).
Cléo – Como você pediu, vou ler meia página,
deste livro de 120 páginas. Neste trecho,
falo sobre Política. Os amigos que conheci
dentro da Política, o que fizemos, ou
tentamos fazer dentro da política. Eu
encerro esta página (65), são três páginas
sobre política, dizendo o seguinte:
(Lendo) Na política, conheci desfavorecidos
e favorecidos pela sorte, por estarem ao
lado das pessoas certas, e das incertas.
Conheci os corruptos, a força do dinheiro na
compra de votos, ganhando eleições, em
muitas épocas. Onde as falcatruas e os
comprados, entre aspas, fizeram as eleições
e ganharam cargos. Conheci homens e
mulheres, de bem e para o bem. Mas, me
deparei com a tristeza das inverdades, dos
homens e mulheres do mal.
Na política, sofri repressões, e me deparei
com a verdadeira guerra pelo poder. E, por
falar verdades e lutar por muitas delas, e
pela terra onde eu não nasci, mas adotei,
fico à margem. Conheci a inveja, mal do ser
humano que não tem capacidade para vencer
por conta do seu caráter e não usar
disfarces.
Aprendi a respeitar inimigos, mesmo não
estando ao seu lado, mas, admirando o
trabalho e a capacidade. Que aqueles que têm
o mando nas mãos possam respeitar suas
cadeiras e os votos daqueles que os
escolhem, e que tenham sempre um único
pensamento: dedicação limpa e séria.
De cara limpa, durmo tranqüila, mesmo ainda
sonhando com uma cidade mais justa e humana
para todos.
(Cléo lê, também, uma observação que faz no
final da página) Uma reunião de alguns
políticos é algo assim: Colocar na mesma
sala Cassandra Rios, a melhor escritora
brasileira de temas lésbicos, como Eudemonia;
Salmon Bushdie, o autor de ‘Versos
Satânicos’; Morris West, escritor de ‘O
advogado do Diabo’; o autor policial Dennis
Lehane e o profético sonhador e ilusionista
Paulo Coelho. À esta turma famosa, inserir
comicidade e fôlego.
E o interesse do povo, para quem o político
trabalha? Dane-se o povo! Fecha-se a reunião
com uma salada rochefocour ou vodka russa a
três graus, ou pizza com bordas de queijo!
E, antes de tomar qualquer atitude com
relação ao seu voto e sua escolha, consulte
site que diz tudo sobre a vida dos nossos
políticos:
www.transparencia.org.com
- Você já
incursionou pela política (foi candidata a
vereadora em Ponta Grossa). Foi apenas uma
aventura, ou é ainda um desejo?
Cléo – Não
quero mais. Não, não quero! Eu sofri muito na
Política. Não ganhei nada na Política. Ganhei
experiência, porque, quem faz política, tem
que ter dinheiro no bolso. Nós não podemos
fazer política, sabia? Você faz por sonho,
por paixão. Você admira por quem você
trabalha, e, depois, você se desencanta,
muitas vezes. Penso que é assim.
Então, eu, política, seria uma pedra no
sapato de quem estivesse lá, ou seria uma
fracassada.
- Nos últimos anos,
vivi envolvido com a Política, acompanhando
e até procurando orientar políticos,
tentando ser esse elo necessário entre o
político e a população. Agora, quase que em
fim de carreira, como a Cléo, com a alegria
de dizer: ‘Acompanhei, mas, não participei
disto'.
Cléo – Verdade! Acho que a melhor
coisa do Mundo, é você poder, como digo no
me livro, dormir tranqüila, mesmo que
dormindo pouco. Eu tenho uma insônia danada,
durmo muito pouco e acordo muito cedo, às
oito horas da manhã. Quando não vou cantar,
eu durmo. E durmo de babar na frente da
televisão. Mas, durmo tranqüila. Não tem
essa coisa, sabe, de ficar olhando para o
travesseiro e pensar: ‘Quanta coisa errada
eu fiz na Política. Não, eu durmo tranqüila.
Não tive preço. Uma vez, me chegaram e
disseram: ‘Cléo, saia disso, venha com a
gente, teu preço é este’. Deram o primeiro
cheque, eu mostrei na televisão, oferecendo
de volta, no meu horário eleitoral, em um
discurso que o Osni (Gomes) fez para mim, e
você também ajudou, e devolvi o cheque. Foi
à televisão, mostrei e perdi a eleição. Não
sirvo para ser vereadora, ou qualquer outra
coisa na Política.
(Na foto,
Cléo Teixeira e a fotógrafa e jornalista
Fabiana Guedes)
Dormir com tranqüilidade, é o que vale na
vida da gente; comer uma carninha, o feijão
com arroz... Por que eu vou querer ganhar
dinheiro? Pra ir para Cancun? O que eu vou
aprender lá? Sei, lá, mostrar fotos e
vídeos, mas, aprender? Se tanta gente passa
uma fome danada, neste mundo, e tantos não
vêem isso. Tantos, com altos salários, altas
aposentadorias, conquistadas não sei como,
porque a minha, para ganhar dois ou três
salários, está uma luta desgraçada...
Então, fico pensando: ‘Por que este Mundo
tão injusto, com tanta injustiça praticada
por aí’. E é sobre isto, e tantas coisas
mais, que estou aceitando escrever para o
teu site, o cotidiano, um dia uma crônica
sobre a amizade; outro dia sobre o que eu
vejo, de uma injustiça, de algo que possa
fazer com que as pessoas parem um pouco e
pensem: ‘será que já fiz a minha parte, ou
estou devendo?’. Porque, se dermos uma
parcela, por mínima que seja, para
tentarmos amenizar alguma coisa, a gente
consegue, com certeza. A gente não pode
fazer milagres, mas, ajuda em alguma coisa!
Estamos fazendo a nossa parte, e é difícil.
Mas, um dia, homens e mulheres esquecerão a
famosa “Torre de Babel”, esquecerão “Sodoma
e Gomorra” e vão poder viver mais
tranqüilos. Eu busco isso!
- Sem a pretensão de
sermos exemplo para o Mundo, para o País,
para a nossa cidade, o bairro, ou nossa rua.
Se tivermos a felicidade de um dos nossos
atos servir como exemplo para um de nossos
filhos, terá sido o suficiente.
Cléo (emocionada) – Para um deles, só
isso, e terá valido à pena!
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