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O prefeito Pedro Wosgrau
Filho acaba de prestar um grande serviço a Ponta Grossa, aos
ponta-grossenses e à comunidade dos Campos Gerais.
E, claro, à comunidade universitária da UEPG. A pedido do governador
Roberto Requião, com a concordância do deputado e ex-prefeito Péricles
de Mello, autor da "obra", nesta sexta-feira, Pedro mandou derrubar o
"Monumento aos Campos Gerais", que a cidade denominou de "o Cocozão",
pela forma ridícula com que foi projetado, e que, há anos envergonha
Ponta Grossa.
O Monumento foi instalado justamente em frente ao campus de Uvaranas
da Universidade Estadual de Ponta Grossa, servindo de piada e
constrangimento para os universitários ponta-grossenses.
Ele aparece em centenas de sites nacionais e internacionais. Para o
lugar do "Cocozão" será feito um projeto de paisagismo.
Recuperando
No dia 11 de maio de 2007,
o Plantão da Cidade publicou um especial, na Coluna Por
Dentro, revelando que o então vereador Francisco Valentim Filho, o
“Baixinho” estava por apresentar uma Moção de Apelo ao prefeito Pedro
Wosgrau Filho, solicitando a derrubada do Monumento aos Campos Gerais,
idealizado e instalado em frente ao Campus de Uvaranas da UEPG.
Evidentemente, o tema se tornou polêmico.
Na época,
comentamos que programas humorísticos de televisão, matérias em
jornais, um incontável número de páginas na Internet, blogs,
comunidades no orkut, e uma série de piadas vinham fazendo com que o
chamado “Monumento aos Campos Gerais”, mais conhecido por “Cocozão”,
se constituísse em uma vergonha para os ponta-grossenses.
E que o vereador
Francisco Valentim Filho, o “Baixinho” tentava acabar com as chacotas
apelando ao prefeito Pedro Wosgrau Filho para que retirasse o tal
“monumento” instalado justamente em frente ao Campus da UEPG.
Ele apresentou
uma Moção de Apelo, após reunir recortes de jornal e uma série de
publicações na Internet para mostrar aos colegas que realmente a
cidade tem “passado vergonha”. Ele argumentava: “Ponta Grossa não
merece isto!”.
Pressões
Na época, alguns interesses
políticos eram contrários à retirada do “Cocozão”. Afinal, era ano
pré-eleitoral, e ainda não se sabia quem seria o candidato do PT à
Prefeitura e que potencial teria aquele partido. Assim, era
interessante que a “marca do PT” lá permanecesse.
Indicação
Curiosamente, o
Departamento Jurídico da Câmara Municipal desaconselhou Baixinho de
apresentar uma Moção de Apelo, pedindo ao prefeito Wosgrau a demolição
do "Cocozão". Ele, no entanto, não desistiu e protocolou uma Indicação
ao prefeito. Este, foi o conteúdo da solicitação:
NDICAÇÃO Nº 753/07 – Sugerindo ao
Senhor Prefeito, para que determine aos departamentos competentes da
municipalidade, providências objetivando a “demolição urgente do
monumento aos Campos Gerais, de formato duvidoso, localizado em frente
ao Campus Universitário, que ora é utilizado para depreciação da
cidade.
Justificativa:
A cidade de Ponta Grossa possui cenários naturais maravilhosos, isto
graças à natureza que foi prodigiosa em nossas paisagens de singular
beleza. A construção do Monumento aos Campos Gerais, devido a uma
falha na execução do projeto, tem causado diversos transtornos até em
âmbito internacional visto à denominação pejorativa que lhe foi
atribuído. Agora Ponta Grossa esta sendo motivo de chacota,
principalmente na Internet, por conta de diferente interpretações do
Monumento.
Como o objetivo do monumento não foi atendido se faz necessário a sua
demolição, até mesmo para resgatar a imagem marcada nacionalmente da
Cidade pela Taça de Vila Velha, a Lagoa Dourada, Chafariz de Uvaranas.
Por essas razões, rogamos a compreensão e apoio do Poder Legislativo,
nas reivindicações de nossa comunidade, bem como dos demais Nobres
Edis para a aprovação da matéria”.
Estudo técnico
Quando a indicação Baixinho
entrou em discussão na Câmara Municipal, no dia 15 de maio de 2007, a
polêmica. O vereador recuou e retirou a indicação, sob a promessa de
que seria realizado um “estudo técnico” que viesse a tornar aquele
monumento menos esquisito, ou menos ridículo. Quem prometeu o estudo
foi o vereador Delmar Pimentel. Mas, o
tal estudo nunca foi feito. No ano passado, o Plantão cobrou de
Delmar, mas ele sequer lembrava do assunto.
Não prevaleceram
os argumentos de Baixinho, segundo o qual, Ponta Grossa deve ser
conhecida como “Capital Cívica do Paraná”, “Cidade Rebelde”, como
maior entroncamento rodoferroviário do Sul do País. E como cidade de
belíssimos pontos turísticos, como Vila Velha, Lagoa Dourada e Buraco
do Padre, entre tantas outras belezas naturais. “Nunca mais como a
cidade do cocozão”.
Exame de fezes
Durante as discussões,
naquele dia, Delmar Pimentel, concordando que o Monumento aos Campos
Gerais não poderia continuar com aquele aspecto de péssimo gosto,
ressalvou que, talvez, a idéia do ex-prefeito Péricles de Mello, PT,
tivesse sido a de construir uma obra bonita, “marcante para Ponta
Grossa”. E que o problema é que o sistema previsto, de jorrar água,
não funcionou, porque acabava molhando as pessoas que por lá passavam.
A preocupação de Pimentel
era que uma possível demolição do monumento representasse jogar
dinheiro, algo em torno de 300 mil reais, “pelo ralo”, pois, a coisa
foi construída com o dinheiro dos impostos.
O também
ex-vereador George Luiz de Oliveira disse não concordar que fosse
feito um estudo técnico do “Cocozão”. Para ele, “fazer uma análise
daquilo lá, só ser for feita no Laboratório Oscar Pereira Jr., de
análises clínicas, que eles entendem bem do assunto, daquilo que está
lá”, falou.
É do PT
A “obra”, que é chamada
assim, acompanhada do termo “literalmente”, por muitas pessoas, foi
inaugurada no ano de 2004, no governo do estão prefeito
Péricles de Holleben Mello, do Partido
dos Trabalhadores. E custou aos cofres do município, conforme foi
divulgado na época, em torno de 300 mil reais. Aquele monumento foi
criado em homenagem aos 300 anos da Região dos Campos Gerais. A idéia,
segundo Péricles de Mello, era que o monumento representasse uma a
araucária, que é a árvore símbolo do Paraná, formada por uma haste de
aço, de oito metros, e uma pedra em resina para lembrar os arenitos de
Vila Velha.
Flutuante
Aquilo deveria se mexer. A
idéia era essa, um sistema de projeção de água, que deixaria a haste
escondida e a tal pedra ali representada, ganharia um efeito de
movimento, ou seja, ficaria flutuando.
Melhor que esse sistema não tenha funcionado, pois, flutuando, aquela
coisa esquisita se assemelharia ainda mais com o apelido que ganhou.
Por que
Cocozão?
É
claro que a figura do monumento por si só já explicaria. Mas, alguém
deu o apelido. E esse alguém foi o radialista
Carlos Alberto Mayer, então apresentador de um programa matinal
da Rádio Emissora Santana.
Logo que o
monumento tomou forma (aquela forma), a foto foi estampada nos jornais
da cidade. Pela manhã, Mayer, impressionado com o que viu, comentou:
“O que significa isto?”.
O repórter Paulo
Silva, que estava ao seu lado, tentou explicar, fazendo um desenho do
monumento e escrevendo a palavra “araucária”, para não deixar dúvidas.
Carlos Alberto então reagiu: “Araucária? Pois, para mim, isto está
parecendo mais um cocozão”.
À tarde, durante
sessão da Câmara Municipal, Paulo Silva contou o fato a um colega do
Comitê de Imprensa. Foi o suficiente!
O jornalista
ligou do seu celular para o deputado Jocelito Canto, dizendo: “O
monumento do Péricles já tem apelido”. Relatou o que acabada de ouvir
e Jocelito se encarregou de, no dia seguinte, contar a “boa nova” aos
seus ouvintes, e a coisa se espalhou.
Homenagem
Mas, não foi o apelido o
responsável pela “fama” do “Cocozão”. O monumento já era motivo de
piadas na cidade e na região. E também já tinha recebido ouras
denominações semelhantes, justamente pelo que se assemelha. Prefeitos
de municípios dos Campos Gerais, da época, não sentiram que a região
tenha sido devidamente homenageada com a obra do prefeito de Ponta
Grossa, ressalvada a boa intenção que possa ter tido. Alguns prefeitos
se esforçaram para identificar a araucária. Outros, reprovaram a
idéia. Outros, ainda, apenas riram e preferiam não se manifestar.
Política da boa vizinhança!
Não aquis
Já lembramos, aqui, em
algumas oportunidades, que logo que foi eleito prefeito de Ponta
Grossa, em outubro de 2004, Pedro Wosgrau Filho concedeu uma
entrevista coletiva à Imprensa local, para falar dos seus projetos e
confirmar sua disposição em cumprir com o plano de governo que havia
apresentado na campanha eleitoral. E respondeu a diversas indagações
dos repórteres.
Entre esses
repórteres, lá estava o radialista Carlos Aberto Mayer, da Rádio
Santana, que foi quem apelidou o Monumento aos Campos Gerais de “Cocozão”.
E ele perguntou a Wosgrau se o prefeito eleito manteria aquela coisa
em frente ao Campus da Universidade. Sempre polido, Wosgrau respondeu
que se tratava de uma obra de seu antecessor, Péricles de Holleben
Mello, PT, a quem havia derrotado nas urnas e que estava em final de
mandato. E disse que respeitaria a obra, como, de fato, o fez. Tanto
que o “Cocozão” lá permaneceu, firme e forte. Tão firme que nem se
mexia, como deveria, de acordo com a idéia original.
Autor
O próprio ex-prefeito
Péricles de Mello chegou a dizer seu desejo era que o Monumento aos
Campos Gerais fosse retirado do local. Argumentava que “o projeto teve
problemas”, defendendo que o prefeito Pedro Wosgrau Filho promovesse,
reformasse, ou substituísse por outro monumento. Só não disse como
ficaria a questão do dinheiro público que investiu naquela sua “obra”.
Sugestões
Algumas sugestões foram
dadas, como a colocação de uma imagem de Santana, padroeira de Ponta
Grossa, o símbolo da Universidade, ou que se plantasse uma araucária,
que ficaria sob os cuidados da UEPG. Sugestões que ainda são válidas.
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