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| Ponta Grossa,
terça-feira 06 de maio de 2008 |
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Ballet de Londrina continua pesquisa corporal com
“DECALQUE” |
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“Decalque” é
decorrência de um processo de pesquisa iniciado pelo Ballet de
Londrina em 2006, com o espetáculo “Fale Baixo”, cuja proposta
principal é trabalhar novos e diferentes eixos de equilíbrio e
apoios para locomoção.
Na exploração desse processo, foi na música “Romeu e Julieta”,
de Prokofiev, que se identificou a energia do movimento
investigado no atual momento.
Desta forma, a opção por montar este clássico de Shakespeare não
partiu da idéia de contar a já tão conhecida história dos dois
amantes de Verona, mas usá-la como substrato para a construção
da dança.
O motivo principal da criação não foi o tema, mas o movimento. |

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O processo foi um
desafio para o elenco que, tendo corpos solidamente formados na
vertical, através de anos de estudo de ballet clássico, teve que
construir novos apoios e eixos, fazendo de suas limitações fonte de
descoberta de movimentos singulares e até dotados de algum
ineditismo.
O espetáculo apresenta um roteiro de movimentos que conduz os
personagens/bailarinos a transitarem em um plano onde o físico é
exigido ao extremo, criando assim o ambiente da obra.
Sobre o drama de Shakespeare, a intenção é apenas fazer aparecer ou
surgir lembranças que quase todos têm da já tão conhecida história.
Daí usar o título “Decalque”, sem a preocupação com o sentido,
muitas vezes, negativo que a palavra pode carregar. Definida pelos
dicionários como: ato de copiar; imitação, plágio, a palavra também
é apresentada como qualquer imagem que lembre aquela obtida pelo
decalque, ou ainda, como fazer aparecer ou surgir, como que
reproduzido por decalcomania (processo de transportar desenhos de um
papel para outro papel).
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Em “Decalque”, mais que a narrativa,
o que se explora, são os aspectos universais vividos pelos
personagens como a questão do destino, da solidão, da paixão, da
proibição, da morte. O público, por vezes, encontrará referências
claras ao enredo, mas isso logo é esquecido, ficando aquilo que foi
o motivo da criação: o movimento. Não há só um Romeu ou uma Julieta.
Os bailarinos se
revezam nestes papéis nas mais diversas combinações e fragmentos de
cena se reproduzem, como que por decalque, com diferentes
bailarinos, em diferentes momentos.
Os demais personagens não estão presentes na sua totalidade, havendo
apenas algumas aparições, mas sem um compromisso de identificá-los
para o público. A idéia é provocar impressões de personagens e
situações dramáticas, mais que apresentar personagens ou desenvolver
situações literais.
A obra “Romeu e Julieta” já foi explorada por Leonardo Ramos, em
dois trabalhos anteriores do Ballet de Londrina: o dueto “...&...”,
em 1996, apenas para a música do balcão de Prokofiev, e “ 2 e nada
mais”, em 1998, para a música “West Side Story” de Bernstein. No
entanto, é em Decalque – cuja música e tema, a princípio, serviriam
de simples substrato - que a força e dramaticidade da trilha, da
história e da coreografia se apresentam com maior impacto, nitidez e
emoção. Resultado tanto do trabalho de pesquisa de movimento, quanto
do amadurecimento do elenco e do coreógrafo. |
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