Ponta Grossa - Paraná
A Princesa dos Campos Gerais
Cidade de Vila Velha
 Ponta Grossa, quarta-feira 26 de maio 2010






 

 

Seu Pedro: O Jornalista do Sertão,
o Amigo do Plantão

“Pedro Diedrichs, 62 anos, portador de hérnia, diabetes e cardiopatia, pelas quais agradece a Deus, pois este o tem preservado de males piores entre as cerca de 1.500 doenças conhecidas!”.

Assim, “Seu Pedro” assinou, no dia 24 de novembro do ano passado, um dos milhares de artigos e crônicas que escreveu, e que, agora, está novamente publicado no site do Jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia, do qual foi fundador, diretor e o mais dedicado (testemunhamos isto) profissional. Artigo, no qual “encomendou” e detalhou o próprio velório.

Assim era Seu Pedro, que, na quinta-feira passada (20/05), se eternizou, admitindo que não mais deveria lutar contra os três males que o enfrentaram nos últimos anos, de forma mais agressiva. Seu Pedro faleceu, como informa o seu jornal, depois de 22 dias em coma, após ser submetido a uma cirurgia para amputação do pé direito, “devido ao diabetes, sua maior inimiga”, conta o “Vanguarda”.

Inimiga? Assim também entendemos. Pedro, no entanto, conforme escreveu em diversos artigos e crônicas, bem como em confidências que nos fazia, não reclamando, mas, contando, nos fez entender que a doença que,agora o levou, ele já a via como uma companheira, quem sabe até como conselheira, mas, seguramente, como uma incentivadora. Com ela, ele fez rejuvenescer seu espírito de luta, se tornou ainda mais forte, mais desejoso de viver, e de conviver, com seu trabalho e com sua família e seus amigos, próximos e distantes.

Este é o comunicado feito pelo
Jornal Vanguarda no último dia 20:
Morreu por volta das 11 horas da manhã desta quinta-feira, (20/05), em Salvador, o jornalista Pedro Diedrichs, editor do Jornal Vanguarda, com sede em Guanambi.  "Seu Pedro" estava em coma  há vinte e dois dias após se submeter a uma cirurgia no Hospital das Clínicas para amputação do pé direito, devido ao diabetes, sua maior inimiga. O corpo está sendo transladado para Guanambi onde será velado e sepultado nesta sexta-feira.

Muito polêmico, o jornalista era admirado por muitos devido as suas iniciativas na comunidade em prol das entidades sociais, tendo criado o Conselho de Segurança Pública - Consep, sendo voluntário da Apae, membro do Conselho Comunitário, entre outros. Mas, também era odiado por outros por sua língua afiada que recheava as páginas do Jornal Vanguarda.

Pedro Diedrichs, iniciou sua carreira como jornalista em 1967 através do Jornal do Comércio, de Manaus, Amazonas, antes tendo participado da revista "Urubu", nos anos 1965 / 1966.  Escreveu inúmeros artigos e crônicas que estão espalhados pela Rede Mundial de Computadores.

E, pelas suas enfermidades crônicas, Pedro aperfeiçoou o que já sabia fazer como poucos, sua capacidade de transmitir entusiasmo, esperança e amor pela vida a todos nós.


Seu Pedro foi um presente que ganhamos do amigo jornalista Osni Gomes, em abril de 2007. Ele nos enviou um artigo de Pedro, recomendando a publicação do trabalho do jornalista de Guanambi/BA.

Nos encantamos com a forma clara e simples com que Pedro transmitia suas idéias e opiniões, relatava fatos, contava histórias de sua vida, causos que conhecia e ensinava caminhos, o que fomos percebendo ao longo de dois anos de “convivência”, publicando seus trabalhos, aqui, no Plantão da Cidade.
Tornou-se um colunista colaborador do nosso portal. E tornou-se um amigo.

Soubemos de seu falecimento somente nesta quarta-feira, através da querida amiga em comum, Fabiana Guedes, inconsolada ao nos revelar o fato, nos deixando também profundamente entristecidos.

E a recordarmos alguns de seus textos, mas, principalmente, de nossas “conversas”, através da net. Ou por recados no Orkut, ou, mais “próximos”, trocando e-mails, durante a noite e nas madrugadas, às vezes até às 3 ou 4 horas, enquanto, aqui, cuidávamos, como continuamos cuidando, do nosso Plantão, e ele, lá, em Guanambi, cuidando do seu Vanguarda, com o mesmo objetivo de informar e prestar serviços, de forma abnegada.

E Seu Pedro se identificou com o “povo” do Plantão (especialmente com Fabiana e conosco). E se identificou com Ponta Grossa e os Campos Gerais, passando a divulgar coisas daqui em seu jornal, em várias oportunidades. (veja este exemplo).

A vida tem dessas coisas... Ainda mais a vida ON LINE. No mundo eletrônico, conheci SEU PEDRO. Aprendi a amar o estilo, a sagacidade, o bom humor, o dinamismo. Trocamos inúmeras figurinhas, links e carinho. Virei fã de carteirinha! E de fã, uma amiga virtual palpiteira!

Nunca nos vimos, mas nos falamos por telefone algumas vezes, Seu Pedro cheio de entusiasmo para vir a Castro, para conhecer as Misses, que divulgou na mais ampla e boa vontade. De Castro, para a Bahia e da Bahia... Para o Mundo!

O afeto mútuo encurtou a distância e gerou planos de encontro... mas infelizmente, nas agruras que nos ocorrem,  essa “reunião” fica mais uma vez adiada.

Com imensa tristeza, hoje recebi a notícia da partida de Seu Pedro, na semana passada. Mais pasma ainda fiquei quando vi no Portal do Vanguarda de Guanambi que Seu Pedro, em novembro passado, tinha escrito como queria o velório: com a entrega de dois quilos de alimento por pessoa em prol da sua querida APAE local. Até numa hora dessas ele não esqueceu de sua civilidade e seu papel de cidadão consciente.

Não lamento mais ainda, porque tenho certeza, que na nova instância em que se encontra, muito em breve, causará polêmica, fará agitos e novos levantes. Lá no Céu, o povo vai se divertir mais, saber mais, pensar mais com os textos e sapiência de Seu Pedro.
Aqui na Terra, ficamos nós, tristonhos e desenxavidos. Perdemos um Mestre, um amigo, um jornalista de verdade. Insubstituível, o buraco que nos foi aberto no coração, assim ficará.

Esteja com Deus, Seu Pedro!
(Fabiana Guedes)

E tanto se identificou que fez despertar em si o desejo de nos conhecer, de abraçar a Fabiana, de passar um final de semana na Pausada do Guartelá e ser recebido pelo Izidro Guedes. Vontade de conhecer o prefeito Pedro Wosgrau Filho, que passou a admirar a partir de matérias publicadas no Plantão. Até tentamos promover esse encontro, mas, faltou interesse de parte de um dos secretários de Wosgrau, à época, 2008, se a memória mais uma vez não nos falha.

Numa dessas madrugadas de “papo” via e-mail, brincamos com Seu Pedro, dizendo que o receberíamos com muito carinho, e que lhe serviríamos salgadinho feito em casa e uma gasosa Uliana. “Não por ser bairrista, Pedro, mas, porque é mais barata, mesmo”, dissemos. E ele ficou com vontade de beber a tal gasosa, nos disse. Ele queria, mesmo era vir. A falta de recursos que acompanha boa parte dos abnegados e, principalmente sua batalha contra o diabetes, não lhe permitiram que viesse, nem no prometido (e tentado) segundo semestre de 2008, nem nuca mais.

A mesma enfermidade que fez rarear até desaparecer sua coluna aqui no Plantão. E, depois, nas dezenas de sites e portais espalhados pelo Brasil. Em nosso último contato, disse que retornaria, que queria voltar. Não pode. Faz falta!

Dia destes, quando suavizar a dor, vamos saborear aquela gasosa Uliana. E, com ela, as lembranças que ficaram.


"Se o presente souber como estou feliz agora,  me apagará as saudades do passado!".
(Seu Pedro)




Esta, é a crônica deixada por Seu Pedro, e que o Jornal Vanguarda publica junto com o editorial de despedida de seu diretor:

O projeto do meu velório está mais
fácil de ser realizado afirma Seu Pedro (*)
Terça, 24 de Novembro de 2009  

Mesmo que eu continue a desejar que seja um projeto secular, só concluído após 2101, de qualquer maneira é preferível estar pronto para o caso de alguma "falha do paciente", e por isto estou espalhando via Internet a novidade do "projeto do meu velório", já conhecido por milhares de internautas em outro endereço eletrônico, há quase meia década.

No título acima, o "velório" é apenas por uma questão de tradição, afinal convencionalmente dizem que o ato de se despedir do morto é assim chamado. Mas não quero, e peço desde já que não acendam velas no meu velório, explico: Fazem fumaça e calor infernal no ambiente.

Ventiladores girando em velocidade suave darão a sensação das brisas celestiais. Nem desejo que chamem de "câmara ardente" a minha exposição fúnebre.

Como deverão, então, chamar os meus últimos instantes antes de descer ao subsolo? Chamem-no de "O último chá beneficente de Seu Pedro", cujo resultado apurado deve ser revertido para APAE, entidade para qual sou voluntário. E pela quantidade interessada em confirmar a minha morte, creio que serão recolhidos muitos alimentos. Explico: Haverá um chá beneficente durante aquele "expediente mortal".

Amigos, familiares ou curiosos que queiram ver o meu corpo de camiseta sem mangas, sem o paletó e a gravata destes momentos, mas com um sorriso eterno, então levem á dois quilos de alimentos não perecíveis. Aviso que vou pedir ao anjo Gabriel, aquele que ostenta a balança na mão para conferir o peso, e ainda a qualidade e data de validade do produtos baratos. Não vale levar sal, fubá, farinha de mandioca, macarrão familiar ou produtos similares da loja de um real! Levem coisas boas. Afinal, um gesto destes acontece uma vez na morte. Então não sejamos miseráveis como o fiel da missa, que procura a nota de real mais velha e amassada para colocá-la na cestinha do padre.

E desde já comunico que aquele que não der com desprendimento, e quem não levar o que solicito que "voltarei" para lhe puxar o pé. (Isto nunca acontece, mas a maioria tem medo, e vale o blefe) No caso do aparecimento de minha alma, e se tratando daqueles que viviam torcendo para que eu embarcasse nesta última viagem, primeiro espero que tomem conhecimento da minha morte, pois será engraçado que eles enxerguem algum sósia meu, e dobrem as esquinas às carreiras. Os que não souberem do fato, lá de cima darei risadas das mensagens ofensivas enviadas pelo e-mail, e sem nenhuma resposta malcriada!

Estarei no paraíso (assim espero) com os anjos, ou no inferno, com centenas de outros jornalistas e alguns padres. E se é que a gente lá do alto pode ser ouvido por alguém aqui na Terra, não se assustem ao ouvir minhas gargalhadas parecidas com as que em vida terei dado, ao ouvir promessas de políticos velhacos. Com as minhas viúvas (posso ter me convertido ao islamismo) deixarei autorização para a liberar dos dois quilos de alimentos os tais militantes, afinal eles são assim: "Dar algo? Só se for eleitor do partido e dividir a doação partida!".

Flores? Por favor, no máximo algumas de tecido biodegradável, artesanato de uma alguma alegre vovó, e não mais que meia dúzia. Flores de plástico, não. sou adepto de respeitar e não poluir a terra. Não gosto também de "forró de plástico" ou o "axé de silicone", tão vulgares como "samba de academia". Samba é do povo e tem que ser de gafieira. Os bumbuns femininos, por exemplo, só são agradáveis quando são de carne, mesmo na versão econômica. Nada de silicones, afinal se fosse para apalpar bumbum artificial ficaria viúvo de um manequim, destes que ficam em vitrinas de lojas. Quanto as flores verdadeiras reitero; não! Flores naturais nunca me fizeram algum mal, para que então que em meu nome sejam levadas a uma antecipada morte, e conduzidas em meu caixão!

Se julgarem que deve ser feito algum culto, se for católico, por vontade dos que ficam, primeiro peçam atestado de virgindade bi-lateral ao padre candidato recomendar meu corpo. Afinal em outras atividades eu admito os gays, e até já assisti da sacada do hotel em que me hospedo em Salvador, enquanto vivo, várias passeatas gays. Mas certos "desvios de função" ferem o voto de castidade feito na ordenação sacerdotal durante celebrações, nos cultos permiti-los não acho coreto, é contribuir para a degradação da igreja: Escolho, como leitura bíblica: "Disse então Maria: a minha alma engrandece ao Senhor. E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador". (Lucas 2:46-47)..

Em determinado momento será servido um "chá da tarde", e a minha atual amada ouvirá em voz e violão, cantada por um cantor que seja bonito (pois mulheres olham a beleza, como belas elas são) Dirá ele, na ocasião meu porta-voz, que estou dedicando à minha família, principalmente à minha amada, a canção poética de Vinicius de Moraes "Eu sei que vou te amar". E peço que, se minha amada chorar, que chore pela emoção que transmitem os versos, e não pela minha morte, pois me sinto suficientemente vivido.

Ao final da solene tarde, uma hora antes do expediente do cemitério, carregando o caixão qualquer grupo voluntário, na frente seguirá uma faixa, em boas letras, para que todos da cidade leiam: "Por tudo de bom que vivi com Teny (como chamo, carinhosamente, minha amada) liberto, agora, o amor que aprisionei em mil novecentos e noventa cinco. Do dia em que a cativei até hoje fui muito feliz,"...

Que então desça o defunto e com ele todos os orgulhos, superioridades, vontades, imposições e desejos pessoais. Mas que os sonhos fiquem. Que o mundo seja melhor... E onde está mais fácil a realização do projeto velório? Diversos artistas da música já se ofereceram para a cantada, e o melhor é que  sem cobrar cachê!

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(*) Seu Pedro é o jornalista cronista, humorista e realista Pedro Diedrichs, 62 anos, portador de hérnia, diabetes, e cardiopatia, as quais agradece a Deus pois este o tem preservado de males piores entre as cerca de 1.500 doenças conhecidas!

 



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