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Seu
Pedro: O Jornalista do Sertão,
o Amigo do Plantão
“Pedro
Diedrichs, 62 anos, portador de hérnia, diabetes e
cardiopatia, pelas quais agradece a Deus, pois este
o tem preservado de males piores entre as cerca de
1.500 doenças conhecidas!”.
Assim, “Seu Pedro” assinou, no dia 24 de novembro do
ano passado, um dos milhares de artigos e crônicas
que escreveu, e que, agora, está novamente publicado
no site do Jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia, do
qual foi fundador, diretor e o mais dedicado
(testemunhamos isto) profissional. Artigo, no qual
“encomendou” e detalhou o próprio velório.
Assim era Seu Pedro, que, na quinta-feira passada
(20/05), se eternizou, admitindo que não mais
deveria lutar contra os três males que o enfrentaram
nos últimos anos, de forma mais agressiva. Seu Pedro
faleceu, como informa o seu jornal, depois de 22
dias em coma, após ser submetido a uma cirurgia para
amputação do pé direito, “devido ao diabetes, sua
maior inimiga”, conta o “Vanguarda”.
Inimiga? Assim
também entendemos. Pedro, no entanto, conforme
escreveu em diversos artigos e crônicas, bem como em
confidências que nos fazia, não reclamando, mas,
contando, nos fez entender que a doença que,agora o
levou, ele já a via como uma companheira, quem sabe
até como conselheira, mas, seguramente, como uma
incentivadora. Com ela, ele fez rejuvenescer seu
espírito de luta, se tornou ainda mais forte, mais
desejoso de viver, e de conviver, com seu trabalho e
com sua família e seus amigos, próximos e distantes.
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Este é o comunicado feito pelo
Jornal Vanguarda no último dia 20:
Morreu por volta das 11 horas da
manhã desta quinta-feira, (20/05), em Salvador, o
jornalista Pedro Diedrichs, editor do Jornal Vanguarda,
com sede em Guanambi. "Seu Pedro" estava em coma há
vinte e dois dias após se submeter a uma cirurgia no
Hospital das Clínicas para amputação do pé direito, devido
ao diabetes, sua maior inimiga. O corpo está sendo
transladado para Guanambi onde será velado e sepultado
nesta sexta-feira.
Muito polêmico, o jornalista era admirado por muitos
devido as suas iniciativas na comunidade em prol das
entidades sociais, tendo criado o Conselho de Segurança
Pública - Consep, sendo voluntário da Apae, membro do
Conselho Comunitário, entre outros. Mas, também era odiado
por outros por sua língua afiada que recheava as páginas
do Jornal Vanguarda.
Pedro Diedrichs, iniciou sua carreira como jornalista em
1967 através do Jornal do Comércio, de Manaus, Amazonas,
antes tendo participado da revista "Urubu", nos anos 1965
/ 1966. Escreveu inúmeros artigos e crônicas que estão
espalhados pela Rede Mundial de Computadores. |
E, pelas suas
enfermidades crônicas, Pedro aperfeiçoou o que já
sabia fazer como poucos, sua capacidade de
transmitir entusiasmo, esperança e amor pela vida a
todos nós.
Seu Pedro foi um
presente que ganhamos do amigo jornalista Osni
Gomes, em abril de 2007. Ele nos enviou um artigo de
Pedro, recomendando a publicação do trabalho do
jornalista de Guanambi/BA.
Nos
encantamos com a forma clara e simples com que Pedro
transmitia suas idéias e opiniões, relatava fatos,
contava histórias de sua vida, causos que conhecia e
ensinava caminhos, o que fomos percebendo ao longo
de dois anos de “convivência”, publicando seus
trabalhos, aqui, no Plantão da Cidade.
Tornou-se um colunista colaborador do nosso portal.
E tornou-se um amigo.
Soubemos de seu
falecimento somente nesta quarta-feira, através da
querida amiga em comum, Fabiana Guedes, inconsolada
ao nos revelar o fato, nos deixando também
profundamente entristecidos.
E a recordarmos
alguns de seus textos, mas, principalmente, de
nossas “conversas”, através da net. Ou por recados
no Orkut, ou, mais “próximos”, trocando e-mails,
durante a noite e nas madrugadas, às vezes até às 3
ou 4 horas, enquanto, aqui, cuidávamos, como
continuamos cuidando, do nosso Plantão, e
ele, lá, em Guanambi, cuidando do seu Vanguarda, com
o mesmo objetivo de informar e prestar serviços, de
forma abnegada.
E Seu Pedro se
identificou com o “povo” do Plantão
(especialmente com Fabiana e conosco). E se
identificou com Ponta Grossa e os Campos Gerais,
passando a divulgar coisas daqui em seu jornal, em
várias oportunidades. (veja
este exemplo).
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A vida tem
dessas coisas... Ainda mais a vida ON LINE. No mundo
eletrônico, conheci SEU PEDRO. Aprendi a amar o estilo, a
sagacidade, o bom humor, o dinamismo. Trocamos inúmeras
figurinhas, links e carinho. Virei fã de carteirinha! E de
fã, uma amiga virtual palpiteira!
Nunca nos vimos, mas nos falamos por telefone algumas
vezes, Seu Pedro cheio de entusiasmo para vir a Castro,
para conhecer as Misses, que divulgou na mais ampla e boa
vontade. De Castro, para a Bahia e da Bahia... Para o
Mundo!
O afeto mútuo encurtou a distância e gerou planos de
encontro... mas infelizmente, nas agruras que nos
ocorrem, essa “reunião” fica mais uma vez adiada.
Com imensa tristeza, hoje recebi a notícia da partida de
Seu Pedro, na semana passada. Mais pasma ainda fiquei
quando vi no Portal do Vanguarda de Guanambi que Seu
Pedro, em novembro passado, tinha escrito como queria o
velório: com a entrega de dois quilos de alimento por
pessoa em prol da sua querida APAE local. Até numa hora
dessas ele não esqueceu de sua civilidade e seu papel de
cidadão consciente.
Não lamento mais ainda, porque tenho certeza, que na nova
instância em que se encontra, muito em breve, causará
polêmica, fará agitos e novos levantes. Lá no Céu, o povo
vai se divertir mais, saber mais, pensar mais com os
textos e sapiência de Seu Pedro.
Aqui na Terra, ficamos nós, tristonhos e desenxavidos.
Perdemos um Mestre, um amigo, um jornalista de verdade.
Insubstituível, o buraco que nos foi aberto no coração,
assim ficará.
Esteja com Deus, Seu Pedro!
(Fabiana Guedes) |
E tanto se
identificou que fez despertar em si o desejo de nos
conhecer, de abraçar a Fabiana, de passar um final
de semana na Pausada do Guartelá e ser recebido pelo
Izidro Guedes. Vontade de conhecer o prefeito Pedro
Wosgrau Filho, que passou a admirar a partir de
matérias publicadas no Plantão. Até tentamos
promover esse encontro, mas, faltou interesse de
parte de um dos secretários de Wosgrau, à época,
2008, se a memória mais uma vez não nos falha.
Numa dessas
madrugadas de “papo” via e-mail, brincamos com Seu
Pedro, dizendo que o receberíamos com muito carinho,
e que lhe serviríamos salgadinho feito em casa e uma
gasosa Uliana. “Não por ser bairrista, Pedro, mas,
porque é mais barata, mesmo”, dissemos. E ele ficou
com vontade de beber a tal gasosa, nos disse. Ele
queria, mesmo era vir. A falta de recursos que
acompanha boa parte dos abnegados e, principalmente
sua batalha contra o diabetes, não lhe permitiram
que viesse, nem no prometido (e tentado) segundo
semestre de 2008, nem nuca mais.
A mesma enfermidade
que fez rarear até desaparecer sua coluna aqui no
Plantão. E, depois, nas dezenas de sites e
portais espalhados pelo Brasil. Em nosso último
contato, disse que retornaria, que queria voltar.
Não pode. Faz falta!
Dia destes, quando
suavizar a dor, vamos saborear aquela gasosa Uliana.
E, com ela, as lembranças que ficaram.
"Se o presente souber como estou feliz agora,
me apagará as saudades do passado!".
(Seu Pedro)
Esta, é a crônica deixada por Seu Pedro, e que o
Jornal Vanguarda publica junto com o editorial de
despedida de seu diretor:
O
projeto do meu velório está mais
fácil de ser realizado afirma Seu Pedro
(*)
Terça, 24 de Novembro de 2009
Mesmo
que eu continue a desejar que seja um projeto
secular, só concluído após 2101, de qualquer maneira
é preferível estar pronto para o caso de alguma
"falha do paciente", e por isto estou espalhando via
Internet a novidade do "projeto do meu velório", já
conhecido por milhares de internautas em outro
endereço eletrônico, há quase meia década.
No
título acima, o "velório" é apenas por uma questão
de tradição, afinal convencionalmente dizem que o
ato de se despedir do morto é assim chamado. Mas não
quero, e peço desde já que não acendam velas no meu
velório, explico: Fazem fumaça e calor infernal no
ambiente.
Ventiladores girando em velocidade suave darão a
sensação das brisas celestiais. Nem desejo que
chamem de "câmara ardente" a minha exposição
fúnebre.
Como
deverão, então, chamar os meus últimos instantes
antes de descer ao subsolo? Chamem-no de "O último
chá beneficente de Seu Pedro", cujo resultado
apurado deve ser revertido para APAE, entidade para
qual sou voluntário. E pela quantidade interessada
em confirmar a minha morte, creio que serão
recolhidos muitos alimentos. Explico: Haverá um chá
beneficente durante aquele "expediente mortal".
Amigos, familiares ou curiosos que queiram ver o meu
corpo de camiseta sem mangas, sem o paletó e a
gravata destes momentos, mas com um sorriso eterno,
então levem á dois quilos de alimentos não
perecíveis. Aviso que vou pedir ao anjo Gabriel,
aquele que ostenta a balança na mão para conferir o
peso, e ainda a qualidade e data de validade do
produtos baratos. Não vale levar sal, fubá, farinha
de mandioca, macarrão familiar ou produtos similares
da loja de um real! Levem coisas boas. Afinal, um
gesto destes acontece uma vez na morte. Então não
sejamos miseráveis como o fiel da missa, que procura
a nota de real mais velha e amassada para colocá-la
na cestinha do padre.
E
desde já comunico que aquele que não der com
desprendimento, e quem não levar o que solicito que
"voltarei" para lhe puxar o pé. (Isto nunca
acontece, mas a maioria tem medo, e vale o blefe) No
caso do aparecimento de minha alma, e se tratando
daqueles que viviam torcendo para que eu embarcasse
nesta última viagem, primeiro espero que tomem
conhecimento da minha morte, pois será engraçado que
eles enxerguem algum sósia meu, e dobrem as esquinas
às carreiras. Os que não souberem do fato, lá de
cima darei risadas das mensagens ofensivas enviadas
pelo e-mail, e sem nenhuma resposta malcriada!
Estarei no paraíso (assim espero) com os anjos, ou
no inferno, com centenas de outros jornalistas e
alguns padres. E se é que a gente lá do alto pode
ser ouvido por alguém aqui na Terra, não se assustem
ao ouvir minhas gargalhadas parecidas com as que em
vida terei dado, ao ouvir promessas de políticos
velhacos. Com as minhas viúvas (posso ter me
convertido ao islamismo) deixarei autorização para a
liberar dos dois quilos de alimentos os tais
militantes, afinal eles são assim: "Dar algo? Só se
for eleitor do partido e dividir a doação partida!".
Flores? Por favor, no máximo algumas de tecido
biodegradável, artesanato de uma alguma alegre vovó,
e não mais que meia dúzia. Flores de plástico, não.
sou adepto de respeitar e não poluir a terra. Não
gosto também de "forró de plástico" ou o "axé de
silicone", tão vulgares como "samba de academia".
Samba é do povo e tem que ser de gafieira. Os
bumbuns femininos, por exemplo, só são agradáveis
quando são de carne, mesmo na versão econômica. Nada
de silicones, afinal se fosse para apalpar bumbum
artificial ficaria viúvo de um manequim, destes que
ficam em vitrinas de lojas. Quanto as flores
verdadeiras reitero; não! Flores naturais nunca me
fizeram algum mal, para que então que em meu nome
sejam levadas a uma antecipada morte, e conduzidas
em meu caixão!
Se
julgarem que deve ser feito algum culto, se for
católico, por vontade dos que ficam, primeiro peçam
atestado de virgindade bi-lateral ao padre candidato
recomendar meu corpo. Afinal em outras atividades eu
admito os gays, e até já assisti da sacada do hotel
em que me hospedo em Salvador, enquanto vivo, várias
passeatas gays. Mas certos "desvios de função" ferem
o voto de castidade feito na ordenação sacerdotal
durante celebrações, nos cultos permiti-los não acho
coreto, é contribuir para a degradação da igreja:
Escolho, como leitura bíblica: "Disse então Maria: a
minha alma engrandece ao Senhor. E o meu espírito se
alegra em Deus meu Salvador". (Lucas 2:46-47)..
Em
determinado momento será servido um "chá da tarde",
e a minha atual amada ouvirá em voz e violão,
cantada por um cantor que seja bonito (pois mulheres
olham a beleza, como belas elas são) Dirá ele, na
ocasião meu porta-voz, que estou dedicando à minha
família, principalmente à minha amada, a canção
poética de Vinicius de Moraes "Eu sei que vou te
amar". E peço que, se minha amada chorar, que chore
pela emoção que transmitem os versos, e não pela
minha morte, pois me sinto suficientemente vivido.
Ao
final da solene tarde, uma hora antes do expediente
do cemitério, carregando o caixão qualquer grupo
voluntário, na frente seguirá uma faixa, em boas
letras, para que todos da cidade leiam: "Por tudo de
bom que vivi com Teny (como chamo, carinhosamente,
minha amada) liberto, agora, o amor que aprisionei
em mil novecentos e noventa cinco. Do dia em que a
cativei até hoje fui muito feliz,"...
Que
então desça o defunto e com ele todos os orgulhos,
superioridades, vontades, imposições e desejos
pessoais. Mas que os sonhos fiquem. Que o mundo seja
melhor... E onde está mais fácil a realização do
projeto velório? Diversos artistas da música já se
ofereceram para a cantada, e o melhor é que sem
cobrar cachê!
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(*)
Seu Pedro é o jornalista cronista, humorista e
realista Pedro Diedrichs, 62 anos, portador de
hérnia, diabetes, e cardiopatia, as quais agradece a
Deus pois este o tem preservado de males piores
entre as cerca de 1.500 doenças conhecidas!
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