|
|
|
|
|

Maria Regina |
Amizade
Quando
Maria era pequena, uma das coisas que mais queria era uma
amiga. Não tinha irmã, então, imaginava que uma amiga seria
como uma irmã para ela. Procurava entre as colegas de escola
alguém que desejasse ser sua amiga, mas infelizmente, ela não
era das mais populares nem aceitava fazer qualquer coisa para
conquistar afeição.
Logo
percebeu que arrumar uma amiga não seria tão simples. Além de
ter que confiar em alguém, alguém também teria que confiar
nela. Notou que não era possível acreditar em todo mundo.
Muitas pessoas mentiam e outras não sabiam guardar segredos.
Isso era uma das coisas que Maria achava muito importante –
saber guardar segredo. Quase ninguém sabia. Então, percebeu
que, se quisesse ser uma boa amiga, teria de aprender a
guardar segredo. Com o tempo, ela aprendeu.
Todos
vinham lhe contar seus segredos, pois logo entenderam que ela
não espalhava as notícias ao vento. Maria ficava feliz com a
confiança depositada, mas continuava com um grande problema:
não tinha para quem contar os seus segredos. A primeira vez
que arriscou confiar em alguém foi traída e tremendamente
humilhada. Aquilo doeu demais. Todos os seus colegas de classe
se afastaram dela em função de uma mentira inventada por sua
“amiga”. Na festa de aniversário que sua mãe organizou para
ela naquele ano, apenas José apareceu. Isso ensinou muito a
Maria acerca de respeito e lealdade.
Naquele
mesmo dia, José ganhou uma amiga para sempre. O tempo passou,
e acabaram se distanciando fisicamente. Há algumas semanas, no
entanto, José foi criticado publicamente sem piedade. A
crítica beirou a humilhação. Maria fez questão de lhe
manifestar sua solidariedade e apreço, plantados há mais de
trinta anos no solo fértil de seu coração adolescente. Jamais
permitiria que seu amigo fosse humilhado na solidão. Nem que
fosse a única a apoiá-lo, ele não estaria sozinho, pois a
amizade que ela lhe tem não possui prazo de validade.
A
verdadeira amizade não é somente aquela que enxuga lágrimas,
mas também a que empunha a espada no momento decisivo, ainda
que para morrer, dada a desigualdade de forças, mas na
dignidade de honrar um compromisso fraterno. A verdadeira
amizade não é somente aquela que ampara o desvalido, mas a que
se rejubila com o sucesso do agraciado sem lhe invejar a
posição de destaque ou o salário compensador.
A
verdadeira amizade é aquela que corre riscos de se frustrar,
pois nem todos sabem ser amigos, mas a despeito disso continua
acreditando no amor, pois se fez amor para poder acolher
alguém.
Que Jesus
Cristo, o maior amigo que a humanidade já teve, nos sirva de
exemplo.
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail:
contato@mariaregina.com.br) é escritora.
Visite:
www.mariaregina.com.br
|