Ponta Grossa - Paraná
A Princesa dos Campos Gerais
Cidade de Vila Velha






 

Dia destes, estacionei num dos bancos da Praça Marechal Floriano Peixoto. Quando estou alvoroçada, estressada, a mil de glicemia e 300 km por hora de deprê, busco o verde daquela praça: corro atrás das pombinhas -, sustentadas por um anjo taxista, me delicio com a pipoca mais gostosa da cidade, converso com os "posseiros" daquele local, admiro a igreja católica, a Catedral tombada e reconstruída com o dinheiro dos fiéis. revejo alguns amigos "mucho locos", respirando ar puro...

E, com todo este visual, me ponho a "coloquiar um monólogo toma-lá-dá-cá!" (aquele que só a gente fala, responde, xinga, volta atrás, etc). Voce já fez isto? É bom demais! Surpreendente, até!

E naquel dia, me pus a pensar sobre os fatídicos acontecimentos nas pousadas, nas encostas, nas estradas, nas praias, do nosso país afora. E me perguntei: Por que as autoridades, a Defesa Civil, etc., permitem que essa gente se instale nesses locais? Por que não tomam consciência antecipada, não permitindo que se instalem nas áreas de risco?

- Senhora escritora, no tempo que se instalaram não corriam risco!

- Hum! Excelente dedução, inteligente, convincente!

- Uma ova! Não é preciso ser geólogo, engenheiro, astrólogo, vidente, físico, para saber que uma encosta, uma beira de mar, uma beira de rio, uma ponte construída com migalhas, uma natureza desrespeitada, um dia, vai dar o troco!

E quem vai pagar o preço? Quem estiver, naquele exato momento, nestes locais! Será que Deus colocou estas pessoas nos locais de flagelo, Angra (fim de ano), Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, etc., (durante o ano), onde centenas e centenas foram levados pela lama, pela água, pelos buracos? Será que Ele pretendia mostrar Sua força, ceifando famílias e famílias?

Culpa de quem?... Culpa nossa? Dos nossos erros? Da Natureza? Dos políticos? Dos que querem se divertir? Da falta de consciência? Da falta de respeito?

Se pergunte: culpa de quem???

As famílias que perderam seus entes queridos não sabem responder e nem buscam respostas: choram, simplesmente!

Os que perderam seus bens materiais, adquiridos às duras custas e suor, choram e clamam a Deus pra continuar a luta!

As mães e guerreiras donas de casa agradecem as cestas básicas enviadas: vão poder matar a fome dos que ficaram, entulhados nos lugares conseguidos. O povo agradece porque os políticos vão conseguir ter seus pedidos acatados pelos órgãos públicos, as pontes vão ser reconstruídas, as casinhas populares vão ser erguidas em outros locais, os alvarás vão ser mais estudados.

Só agora!... Depois de tanto extermínio!

Daí, me levanto do banco de praça, pego a ponta da bituca e o papel de bala, jogados no chão, e respiro aquele ar saudável, ainda saudável! Quero ver depois do ano 2.012, se viva estiver! -

Até qualquer dia, mais otimista e menos irada!


-Cléo Teixeira, radialista, apresentadora de Tv a cabo, escritora, santista e operariana, amante das coisas boas e das boas pessoas.


 


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