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Dia destes,
fui visitar Zito Sallum - e sempre faço
isso, pelas boas conversas e inteligentes
que este empresário proporciona – e, no
portão de entrada, encontrei outro bom papo
e amigo de.... anos, o Kaé, fotógrafo das
estrelas que rondam o mundo político,
principalmente, além de companheiro de
muitas jornadas pelas saudosas Münchenfest
de antigamente, quando dava gosto reportar e
se divertir.
E
na conversa de "portão", relembramos muita
coisa que vivemos nestes meus 30 anos de
luta radiofônica, televisa, etc. Acho que o
Kaé tem mais quilômetros de profissão do que
eu: ele fotografou o primeiro momento
político de nosso país, a chegada dos
portugueses no Brasil, com apoio do "seu"
Pauliki ,que queria desbancar as empresas
Casas Bahia e Maxitango - isto tudo pra
destacar a idade do fotófrafo e sua carreira
de sucesso.
Relembramos
de uma encrenca na porta dos camarins dos
artistas de uma München: o fotógrafo levou
seu filho junto, e o menino queria o
autógrafo do artista daquela noite. Só isso!
Nada mais! E a equipe que cuidava daquele
espaço, naqueles tempos, não queria permitir
a entrada do filho do Kaé. Porque se
atreveram a fazer isso! Putz!...
Foi um "auê"!
As meninas "atrevidas" não queriam deixar o
filho do fotógrafo mais badalado da "festa
mor" da cidade apenas pedir um autógrafo
para o artista. E o camarim cheio, mas,
cheio, mesmo, de penetras e amiguinhos da
equipe e que apareciam não sei da onde e nem
o porquê!
Kaé, meio
bravo, (e quando ele fica assim, sai de
baixo, de cima, de lado!), questionou: -
Mas, é a primeira vez que trago alguém da
minha família pra pedir só um autógrafo
desse cantor!
As mocinhas
continuaram com o revide, e cada vez mais
eloquente, afinal quem elas estavam barrando
era filho de um profissional famoso!
Eu, metida a
viver perigosamente, como sempre, me enfiei
no meio da conversa, defendendo o direito do
"meu amigo" e, já querendo cair dos sapatos,
não altos, mas "sapatão", mesmo, já aspirava
um briga feia!!!
Kaé, nervoso,
tomou um chopp da Kaiser, geladinho, servido
só para os artistas, e me disse: - Não se
meta! A briga aqui é comigo! Vou mostrar pra
esta turma quem sou eu! Ninguém me humilha
na frente do meu filho!
Virou as
costas e não fotografou ninguém naquela
noite! - E o fotógrafo oficial da festa era
ele, só ele!
Aquela noite,
na Münchenfest, ninguém foi fotografado, nem
prefeito e seus convidados, nem artistas e
fãs penetras, convidados de alguns, e nem as
meninas que cuidavam dos camarins dos
artistas, e que sempre davam um jeitinho de
ganhar beijinhos, abraços e autógrafos dos
seus artistas preferidos.
Kaé foi
embora com seu crachá, sua máquina
fotográfica, seu orgulho e seu filho. Não
foi uma noite de flash e muita luz: faltou
alguma coisa. Principalmente, compreensão e
jogo de cintura!
Na conversa
de portão, falamos de "chefes e patrões"; da
união dos que se dizem poderosos e que, já
no comecinho da sociedade, a ganância é tão
grande que "tudo acaba com gosto de derrota
e vergonha".
Relembramos
os "bonzinhos" com suas obras sociais, mas
que são piores do que um certo Arruda, -
parece que de Brasília! E rimos de nossas
caminhadas noturnas com Gersinho, Martan,
etc.
Falamos
sério, também: Nossa luta e briga para que
fôssemos respeitados, dentro da lei
trabalhista, pelos nossos patrões, tão
lindinhos, tão bonzinhos!
Duas horas de
bate-papo! Imagine! O que saiu, não posso
contar! Mas, muita gente deve ficar
arrepiada com aquilo que sabemos, Israel Kaé,
o fotógrafo, e Cléo Teixeira, a repórter!
Daí fomos
embora. Esqueci de visitar o Zito, bom pra
ele - ia me pagar a compra de dez livros
Histórias de Muitas Vidas (que já foram
pagos), que foram presentes para pessoas
amigas do empresário, um belo presente de
Natal, com certeza!
Até qualquer
dia, se Deus quiser!
Cléo
Teixeira, radialista e apresentadora de TV a
Cabo, escritora, Santista e Operário F.C.,
mãe do Guilherme, filha de Maria e José.
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