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Dia
destes, "emprestei" uma folha de uma
revista, a FRIZZ Magazine, num consultório
médico (me desculpe!), para que eu não
esquecesse de contar em uma das minhas
histórias desta coluna Rodando pela Cidade;
foi cômico!
Olhando para as
recepcionistas, cuidadosamente, sem fazer barulho,
arranquei a página que me interessava, naquele
momento. O meu companheiro de sofá viu, sorriu, e me
segredou: “Eu também já fiz isso”!
Envergonhada,
continuei com o pequeno furto: coloquei na minha
pastinha, correndo! Mais ninguém percebeu!
O
assunto? Jornalista João Milanez, o fundador do
jornal Folha de Londrina, falecido aos 85 anos, em
agosto de 2.009, e que sofria de problemas
pulmonares e cardíacos, lutando contra um câncer no
rim.
Como todo bom
catarinense, era simpático, inteligente e voraz nas
suas conquistas. Saiu de Santa Catarina com 22 anos
e se mudou para São Paulo quando foi convidado para
vender títulos de capitalização em Londrina, terra
que o acolheu e sempre o respeitou. Conquistou a
terra do ouro verde e conheceu muita gente próspera
e influente. Londrina, para quem não sabe, foi
colonizada por ingleses e paulistas. E o jovem
Milanez cresceu no conceito daquele povo.
Até que, um dia,
resolveu fundar a Folha de Londrina, em 1.948. Ele
era vendedor, repórter e fotógrafo do então
semanário. Depois fundou as rádios Folha FM e Igapó
FM e a TV Tarobá, em Cascavel.
Viajou pelo mundo, mas fez fama no Brasil. Nos
caminhos por onde andava levava seu jornal debaixo
do braço. Seu espírito alegre, irreverente, e tido
como contador de histórias e embaixador de Londrina,
terra que ele sempre respeitou e que sempre o tinha
como "nascido de coração londrinense", Milanez era
uma figura impar. Amado, invejado, sempre bem
vestido, (com seus ternos bem alinhavados, andava
sempre bem acompanhado, tanto socialmente como nas
reuniões políticas: sua opinião era "voz certeira"!
Conheci “seu” João
Milanez quando trabalhei nas rádios Tabajara e CBN,
de Londrina. Meu editor era o jornalista Paulo
Ubiratan, colunista da Folha de Londrina e
companheiro nas rádios. Outra figura impar e
inteligente, por demais; fumante inveterado e
profundo conhecedor das histórias do seu "patrão"
Milanez (assim ele era carinhosamente chamado por
seus funcionários).
Um dia, pedi ao
Paulo que me levasse pra conhecer pessoalmente o
famoso dono da Folha de Londrina. Ele, solícito
sempre, me disse: “Não posso, minha querida amiga do
sul! (ele me chamava assim, mesmo sabendo que eu era
londrinense, por causa do meu "leite quente dá dor
de dente na gente", o que provocava risos entre os
companheiros de imprensa daquela cidade).
Eu questionei: “Por
quê, amado e sábio jornalista”? Ele, com aquele seu
riso maroto, me respondeu: “Você não faz o tipo do
‘seu’ João! Ele gosta de mulher bem feminina e que
usa sandálias altas e roupas decotadas”!
Rimos muito. Fiquei
meio desconcertada! Mas, teimei! Um dia, o Paulo me
levou para conhecer a Folha de Londrina e o João
Milanez! Fui abraçada por ele e, com sua gentileza
peculiar e seu perfume marcante, falou ao meu
ouvido: “Não ligue muito para o que Paulo Ubiratan
lhe fala; depois do terceiro copo, sem gelo, ele
mente muito! Venha trabalhar conosco”!
Não pude trabalhar
na Folha de Londrina, pois assumi, como âncora, o
Jornal da CBN, mas tenho uma lembrança muito boa do
especial ser humano, João Milanez.
João Milanez, era
conhecido como herói no seu ramo e respeitado como
poucos neste país de vendidos!
Até qualquer dia, se
Deus quiser!
-Cléo
Teixeira, radialista, apresentadora de TV a
cabo, escritora, Santista e Operariana,
signo de Leão.
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