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Dia destes,
rodando por aí, encontrei um certo vereador,
companheiro de muitas jornadas (isto lembra
a música “Amigo”, da dupla Roberto e Erasmo
Carlos, da nossa década e de muitos), e
relembramos coisas boas, e algumas ruins,
outras cômicas, histórias de muitas épocas e
vidas.
Relembrei
quando o conheci, de pastinha debaixo do
braço, correndo feito louco para ganhar uns
trocados em promoções que, geralmente,
aconteciam nos clubes da periferia. Até, em
uma de suas promoções, não fui receber o
troféu porque não acreditava muito em seu
trabalho: lembra?
Ele era meio
“estabanado, desenfreado", opinião minha.
Não conseguia acompanhar seu raciocínio
rápido. - "Este cara é um louco!", pensava.
Andando a pé ou de carro emprestado, o então
"empresário artístico", hoje político em
ascendência, forte e inteligente, tinha um
par de sapatos pretos, mas desbotado, devido
ao uso e chuva e terra!...
"Cara, hoje
vamos ao gabinete do prefeito, me faça um
favor: troque de sapatos!"...
Ele sorriu!
Devido à pressa, não reparei nos sapatos
quando corremos até o gabinete do prefeito
da época, anos 80 ou 90; só fui reparar
quando ele cruzou as pernas, se esparramando
no sofá, com aquela irreverência que lhe é
peculiar, até hoje! Levei um susto: o velho
e surrado sapato estava nos pés do cara,
engraxado, reluzente, mas o mesmo par de
sapatos!
Agora o
pior: tinha um furo tão grande no solado que
aparecia a “sola” dos pés. Meus olhos
lampejaram! Olhei-o, com aquele meu olhar
frio e penetrante, aquele que diz tudo em
poucos segundos. O prefeito notou, é claro,
mas, educadamente, não comentou nada.
Já no
corredor, a caminho da saída, soltei fogos
de artifício em cima do ilustre empresário,
pobre, mas, tenho que admitir, trabalhador,
antes de qualquer coisa!
Eu havia
solicitado, gentilmente: -"Troque de
sapatos, cara! Estes que você usa não dá
mais!" Ele, irônico, mas sorridente, me
confessou: "Ninguém quis me emprestar um
sapato 42, Cléo. O número que meu pai calça
é menor e os sapatos da minha mãe, a D.O., e
das minhas irmãs, não iam ficar bem!"
Hoje, ele
tem alguns pares de sapatos e tênis, menos
surrados; algumas camisas (uma vez até lhe
comprei uma, de seda importada, na Dubon,
seus olhos se encheram de lágrimas), usa bom
perfume (antigamente, nos tempos de cesta
básica, usava só desodorante Avanço), mora
bem, viaja sempre, conversa com políticos de
diversas bases, tem muitos "amigos", é
gerador de muita polêmica, mas continua
correndo atrás da máquina e, agora,
trabalhando pela comunidade que o elegeu:
anda conseguindo angariar simpatias
importantes para sua andança política.
"É um
político nato! Inteligente!", comentários
que ouço por aí, em diversos setores. "Ele
não tem herança política, mas caminha a
passos largos para uma grande carreira",
confidenciou um inteligente advogado.
Por
incrível que possa parecer, batemos longos
papos, sempre, sobre política, fatos,
histórias e, entre um riso e outro, a gente
continua brigando, se acertando, e
caminhando, e se afinando! Hoje somos, Pato
Donald e Gastão!
O nome dele? – George, com "G", o amigo de
sempre!
Até outro
dia, se Deus quiser!
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